A atmosfera da praça era sufocante. A revelação de que Victor havia matado o antigo líder e a chegada de Augusto fizeram todos os moradores entenderem o peso daquela batalha.
"Você é apenas uma criança que fica trancada dentro de casa com medo dos outros. Me matar? Está sonhando acordado, garoto." A energia ao redor de Victor aumentou, e aqueles próximos sentiram a pressão.
Os guerreiros que lutavam por ele já estavam derrotados; até seu braço direito, um guerreiro de núcleo vermelho, havia caído.
A luta que derramaria sangue não aconteceu. Ninguém sabia como os guerreiros não conseguiam usar sua própria energia, mas a resposta estava diante deles.
"Apenas um idoso que passa o tempo bebendo e apostando dinheiro." Augusto falou enquanto caminhava tranquilamente para o centro da praça.
Os moradores o observavam com espanto. Aquele garoto estava se referindo ao poderoso Victor apenas como um bêbado?
"Se eu tivesse em mente que a morte do meu pai foi algo planejado por você, eu teria pensamentos de vingança e te daria uma morte lenta." Ele sacou sua espada enquanto passava por Marco e Karla.
Com um sorriso para eles, disse:
"Bom trabalho, foi tudo como eu planejei." Sua voz exalava confiança, como se seu plano fosse infalível.
No fim, éramos apenas peças de xadrez no plano dele, pensou Marco enquanto caminhava em direção à sua amada.
"Sua confiança é tola, criança. Eu te matarei, depois matarei esses traidores imundos e continuarei a liderar esta aldeia." A energia de Victor parou de aumentar.
Seu corpo estava vermelho e seus olhos brancos; parecia um monstro em estado de fúria.
"Te matarei rapidamente, um velho tolo que não sabe sonhar alto." A energia ao redor de Augusto mudou rapidamente.
Antes era calma como o mar, mas agora estava caótica como uma tempestade de raios.
Ele então avançou.
Puff!
O som das espadas se encontrando ecoou pela praça. Diferente de antes, quando os outros guerreiros trocavam golpes, o som não era tão alto.
Dessa vez, o barulho foi tão intenso que até os choros das crianças foram engolidos.
Alguns moradores taparam os ouvidos das crianças para diminuir o impacto.
"Morra!!!" gritou Victor, lançando um ataque frontal.
Augusto desviou com facilidade.
O golpe abriu um buraco de 20 centímetros no chão. A força de um guerreiro de núcleo vermelho era muito superior à de guerreiros de baixo nível.
"Você só sabe desviar, criança!!!" rugiu Victor.
"Morra de uma vez!"
A espada de Augusto começou a brilhar, mais intensa que a de Victor.
"O q—" Antes que pudesse terminar, um ataque horizontal perfurou seu ombro esquerdo até a cintura.
"Haaaaaa!!!" gritos agonizantes ecoaram pela praça. Moradores e guerreiros de baixo nível não conseguiam entender o que havia acontecido.
Impressionante... velocidade, precisão e força. Essa criança é muito poderosa, pensou Darius, que estava perto da batalha.
Ele ficou mais forte, pensaram Marco e Karla em conjunto.
Hum… essa criança… refletiu um guerreiro de núcleo vermelho que não havia participado da luta.
"Que na próxima vida você não seja um imundo como foi nesta." Segurando firme sua espada, Augusto cortou a cabeça de Victor.
Os moradores taparam os olhos das crianças para que não vissem a cena.
Gritos de susto e horror ecoaram. Alguns levaram a mão ao pescoço, temendo que fossem os próximos.
Augusto estava no centro da praça. Os guerreiros de baixo nível o encaravam sem saber o que fazer. Os moradores também não sabiam qual atitude tomar.
Victor fora um péssimo líder, mas ainda era o líder deles.
"Você cresceu." Uma voz surgiu no meio da multidão.
Todos olharam naquela direção.
Três homens apareceram.
"São os três regentes." Os moradores suspiraram de alívio.
Os regentes cuidavam da administração da aldeia. Embora Victor fosse o líder, não era ele quem cuidava de todos os assuntos.
Eles eram responsáveis pela produção de comida, recursos e finanças. Eram chamados de Triplo M:
Moisés
Matheus
Murilo
"Todos voltem para suas casas. Guerreiros, guardem suas espadas. Elas não foram forjadas para serem apontadas contra irmãos." Moisés advertiu.
Os moradores conheciam a personalidade do Triplo M. Rapidamente, a multidão se dissipou.
Os guerreiros também voltaram para suas casas. Não houve vítimas, apenas feridos que seriam tratados após descanso.
Na praça restaram poucas pessoas: o Triplo M, Augusto e todos os guerreiros de núcleo vermelho da aldeia, totalizando dez.
"Augusto, recomendo que aceite o cargo de líder da aldeia." O Triplo M falou em conjunto.
Os guerreiros ficaram espantados. Aquela criança seria o líder?
Marco e Karla, por outro lado, estavam felizes. Esse era o desejo deles.
"Não quero. Ser líder tomaria meu tempo. Gosto de ficar em casa sem fazer nada." Augusto retrucou.
Ele não gostava de interações humanas. Ler um livro, pesquisar plantas ou treinar era mais prazeroso.
"Infelizmente você não pode recusar. Você matou uma pessoa, e essa pessoa era o líder da aldeia. Ou aceita o cargo, ou arrume suas coisas, porque será expulso." disse Matheus.
Ele só tinha dois caminhos: liderança ou expulsão.
"Calma aí, por que devemos aceitar essa criança como líder? Ele mal tem 15 anos." O antigo braço direito de Victor protestou.
Outros guerreiros pensavam da mesma forma. O garoto era jovem demais.
"Bom, nesses últimos anos Augusto sempre nos visitou quando a aldeia tinha problemas administrativos. Ele nos aconselhava sobre o que fazer. Sua linha de pensamento é muito superior à de Victor, e sua força foi mostrada a todos." argumentou Murilo.
O silêncio reinou na praça. Alguns não gostavam da decisão dos regentes, outros eram a favor.
Augusto, alvo da discussão, estava com a testa franzida, com pensamentos a mil.
"Tá bom, eu aceito. Porém tenho algumas condições." Ele não queria sair da aldeia e ir para um lugar desconhecido.
"Diga."
Os regentes suspiraram aliviados. Perder Augusto seria um desastre. Força, talento, sabedoria e humildade... quantas pessoas nascem com tudo isso?
"Primeiro: irei fazer algumas mudanças administrativas. Victor aumentou demais os impostos. Quero que voltem ao preço da época do meu pai.
Segundo: quero tempo livre. Não vou ficar em uma sala vendo papel. Vocês farão esse trabalho. Apenas me tragam os problemas e esperem minha aprovação ou não.
Terceiro: não serei apresentado como líder da aldeia quando alguém de fora vier."
Todos ouviram atentamente. A primeira condição fazia sentido. A segunda, embora estranha, ainda era aceitável. Mas a terceira?
"Por que você não quer ser reconhecido como líder quando alguém de fora vier?" perguntou Moisés.
"Simples. Será estranho um jovem como líder. Apenas esperem alguns anos e isso será resolvido."
"Então concordamos com suas condições, líder da aldeia."
