Cherreads

Chapter 9 - começando a agir

Augusto coletou os ovos e o cogumelo, já com um lugar perfeito em mente para fazer um novo ninho.

Ao sair da caverna ainda era noite, mas logo o sol nasceria.

No percurso para casa não encontrou perigo.

“Cheguei.” Pensou ao olhar o Monte Família à sua frente.

Ao subir, viu cinco pessoas na entrada da aldeia de vigia: Marco, Karla, Matheus, Murilo e Moisés.

“Você voltou, qual a situação?” Moisés perguntou. Ele não conseguiu dormir por causa da notícia de que trolls viviam tão perto da aldeia.

“Eles foram embora, nunca mais voltarão.” Augusto não queria explicar que havia matado todos. Seria difícil acreditar que um guerreiro de núcleo vermelho derrotou sozinho dez trolls e um xamã.

“E por que você está assim?” Marco notou seu estado: um braço quebrado e sem roupas, apenas algumas folhas cobrindo sua intimidade.

“Uma besta me perseguiu, acabei quebrando um braço enquanto fugia.”

Os cinco se olharam por um instante. Parecia que ele não queria falar muito.

“Vou tomar um banho, descansem também. Mais tarde teremos uma reunião.”

“Tá bom.”

O grupo voltou para suas casas.

Chegando em casa, Augusto foi em direção à cama, mas não se deitou. Empurrou-a para o lado e revelou uma fechadura: a porta de um porão que ele mesmo havia construído. Estudar alquimia exigia experimentos, e fazê-los dentro de casa seria burrice.

Decidindo á construir um lugar especial para seus experimentos, onde pudesse trabalhar sem interrupções. Para isso, cavou um enorme buraco e ergueu toda a estrutura sozinho. Ao descer, revelou-se uma câmara subterrânea de vinte metros quadrados e três metros de altura.

Uma mesa com diferentes plantas podia ser vista, alguns potes com nomes escritos, pedaços de carne podre e ossos de bestas.

Aqueles eram itens de um alquimista.

“Vamos deixar isso aqui.”

Então os ovos apareceram junto com o cogumelo. Ele se esforçou para fazer um ninho parecido com o da caverna.

Depois ficou observando se o cogumelo sobreviveria. Trocar uma planta de lugar exigia atenção especial; pequenos fatores podiam matá-la.

Ao perceber que o cogumelo não morreria, desviou a atenção para os ovos. Olhando de perto, notou que um dos oito era especial: recebia três vezes mais energia que os outros.

“Ótimo, no futuro terei uma boa montaria.” Sua mente imaginou-se em cima de um lagarto gigantesco.

“Eles devem nascer em vinte dias. É o tempo que ajeito as coisas antes dos nascimentos.”

Ao subir, fechou a entrada do porão e colocou a cama no lugar.

“Tenho um pouco de tempo livre até a reunião…” Pensando no que fazer, uma dupla de anéis apareceu diante dele.

A energia dentro deles era muito mais forte que a do xamã. Provavelmente esse era o motivo dos trolls terem se tornado renegados.

Ao enviar sua energia, uma forte resistência surgiu.

ZZZZZT!

O processo continuou até Augusto ficar sem forças, mas nada mudou no anel. A energia mal havia diminuído.

Era preciso notar: ele lutou por mais de trinta minutos usando a intenção da espada. Sua capacidade de energia era muito maior que a de um guerreiro normal.

E mesmo assim, a energia de um único anel não foi afetada.

“Uma hora eu vou abrir vocês.” Pensou, guardando os anéis.

Ele se deitou e cochilou.

Ao acordar, foi ver a situação no porão. A energia já era mais forte do que na caverna.

“Eu estava certo.” O ninho da caverna era muito grande; aqui o ambiente era menor e não havia quatro bestas consumindo energia.

Com tudo em seus lugares, foi até o salão comunitário, onde os regentes ficavam e os guerreiros recebiam missões.

Ao entrar, diversos pares de olhos se voltaram para ele.

“Bom dia, líder da aldeia.” Quase como um coro, todos deram as boas-vindas.

“Onde estão os regentes?” Ele acenou enquanto falava.

“Por aqui.” Respondeu uma garota de dezesseis anos.

O salão era dividido em duas partes: à esquerda, as missões dos guerreiros; à direita, uma porta levava à sala dos regentes.

“Você chegou.” Os três regentes se levantaram e o cumprimentaram.

A moça saiu, deixando-os a sós.

“Bom, vamos começar. Sei da situação em geral, mas me explique com mais detalhes: número de moradores, moedas que ganhamos e gastamos, e recursos.”

O triplo M se olharam e começaram a falar.

“Temos atualmente 727 moradores: 112 guerreiros, 417 trabalhadores, o resto são crianças e idosos.”

“Atualmente nossa maior fonte de riqueza vem dos comerciantes. Eles passam uma vez a cada trinta dias e uma vez durante o inverno. Vendemos plantas, couros, carvão e metais. Depois de pagar salários, nossa renda não passa de doze moedas de ouro.”

As moedas eram divididas em:

100 de bronze = 1 de prata

100 de prata = 1 de ouro

Doze moedas de ouro eram 1200 de prata.

“Em relação aos recursos, por causa dos últimos acontecimentos os moradores não estavam saindo muito. Mal temos o que vender. Os comerciantes devem chegar em doze dias…”

Provavelmente não conseguiriam pagar os salários.

Augusto recebeu todas as informações. Sua mente trabalhava rápido.

“Os salários não são um problema. Vou explicar meus próximos passos. Pretendo reformar a estrutura de como os guerreiros são usados.

Primeiro: missões só com supervisão de um núcleo vermelho.

Segundo: salários ajustados com base em força e realizações.

Terceiro: criarei um lugar melhor para o gerenciamento dos guerreiros.

Tenho mais planos, mas aplicarei com o tempo.”

Os regentes ficaram surpresos. Como assim não se preocupar com salários?

Victor sempre gastava a poupança da aldeia quando ia à cidade.

“Como falei, salários não são um problema.” Um baú apareceu sobre a mesa.

THUD!

“Isso é…” Dentro havia trezentas moedas de ouro.

“Com isso deve bastar pelos próximos meses. Também tenho alguns pedidos.”

Os regentes se recomporam. Aquela quantia bastaria por sete meses.

“Façam pedidos de sementes para plantações: batata, milho, qualquer coisa que possa ser cultivada. Também anunciem recrutamento de novos guerreiros. Faz mais de cinco anos que não acontece.”

“Calma, não temos área para plantação.” Murilo estava confuso. Toda a região abaixo do monte era floresta, cheia de criaturas.

“Façam o pedido para entrega no inverno. Faltam dois meses para começar. Esse tempo é suficiente para preparar uma área de cultivo.”

O triplo M suspirou e aceitaram.

“Com isso nossa reunião termina. Os demais assuntos ficam com vocês. Se tiverem problemas, me avisem.”

Ele se levantou para partir.

“Me lembrei de uma coisa.” Um anel surgiu em sua mão.

“Aqui estão os restos mortais dos guerreiros que morreram contra os trolls.”

“Nós agradecemos em nome das famílias.”

“Até mais.” Ele se despediu e saiu.

“Finalmente você saiu.” Um grupo de guerreiros estava no salão.

“O que você fez conosco?” Outro perguntou com raiva.

“Ah, são vocês, os guerreiros de Victor. Foi a primeira vez que usei em humanos. O efeito ainda não passou?” Seu sorriso irônico fez as veias saltarem nas testas dos guerreiros.

“Explico isso mais tarde. Agora é hora da reunião com todos os guerreiros da aldeia.” Ele lançou um olhar em uma certa pessoa.

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