Os cinco trolls corriam com toda força e fúria. A cada passo, o chão rachava.
Eles estão furiosos. Augusto desceu da árvore, segurando uma bola cinzenta de fumaça em sua mão. Ele olhou mais uma vez para o xamã, que ainda estava parado na entrada da caverna.
O xamã também o encarava. Estava cheio de raiva: três dos seus tinham sido mortos por um humano, e agora matar a besta dentro da caverna seria ainda mais difícil.
Com o cajado em mãos, começou a cantar feitiços. Seus olhos se abriram e focaram no humano. Se não fosse pelo treinamento que tinha, estaria gritando como um louco.
Está lançando feitiços… vou começar por você então. Augusto apertou a espada na mão direita.
"Vamos lá." disse, correndo em direção aos cinco trolls.
O xamã ficou surpreso. Aquele humano não iria fugir? Ele queria lutar contra eles?
Tenho que mudar meus feitiços… pensou. Antes, seus encantamentos eram para impedir a fuga. Agora, lançou feitiços de fortalecimento.
Os cinco trolls sentiram seus corpos ficarem mais fortes, suas mentes mais rápidas.
Feitiços de fortalecimento… Augusto percebeu. Sua sensibilidade à energia permitia ver os fios que se conectavam aos corpos dos trolls.
Esse talento ele descobriu quando foi à cidade pela primeira vez. Seu pai até tentou colocá-lo numa academia, mas Augusto recusou. Só de imaginar viver cercado de brigas inúteis e filhos de gente "importante", já parecia um castigo.
O encontro estava próximo. Sua espada brilhou.
Os trolls seguraram seus porretes com mais força, recebendo ainda mais feitiços.
Clang!
No momento em que cruzaram as armas, a bola cinzenta que Augusto segurava explodiu, espalhando fumaça por toda a área.
O xamã viu a fumaça se espalhar. Mesmo à noite, podia enxergar com feitiços de visão noturna, mas aquela fumaça bloqueava tudo.
Preciso ir mais perto… pensou.
Dentro da fumaça, os trolls não conseguiam ver nada. Até o olfato parecia afetado.
"Protejam seus pontos vitais!" gritou um deles.
Eles se posicionaram defensivamente, tentando se comunicar.
Augusto também estava na mesma situação, mas já tinha um plano.
De repente, uma parte da fumaça se abriu.
O humano saiu.
Ele olhou em uma direção e sorriu.
"O primeiro será você." disse, a menos de 40 metros do xamã.
Droga. pensou o xamã. Combate corpo a corpo significava morte certa.
O humano avançava, e o xamã lançava feitiços.
Jatos de água foram desviados com facilidade. Estrondos e rachaduras surgiram no chão. Plantas emergiram e tentaram prendê-lo, mas não conseguiram parar seu avanço.
"Você morre agora!" gritou Augusto, cortando o pescoço do xamã.
Mas sangue não caiu. Apenas uma imagem ilusória com a cabeça cortada ficou no lugar.
Foi como cortar o vento. pensou Augusto.
Não muito longe, o verdadeiro xamã estava no chão, mãos no pescoço.
Foi por pouco… ainda bem que eu tinha um pergaminho. pensou, exausto.
Pergaminhos eram artefatos que guardavam feitiços, usados por magos e xamãs em batalhas.
A fumaça começou a se dissipar.
Os cinco trolls viram o xamã lutando contra o humano e correram para ajudá-lo.
Parece que não vou conseguir matá-lo primeiro… não importa, assim será mais divertido. Augusto esqueceu o xamã e correu em direção aos trolls.
O confronto começou. A coordenação dos cinco era assustadora. Cercavam-no por todos os lados, com ataques surpresa do último livre.
Mas Augusto desviava de todos. Seus golpes causavam pequenas feridas, que se regeneravam em segundos.
O xamã, exausto, levantou-se e preparou novos feitiços.
Esse humano é poderoso… concluiu. Mesmo estando no núcleo vermelho, conseguia lutar contra vários trolls. Sua reação era monstruosa.
Sua energia deveria estar no fim, mas seus olhos mostravam entusiasmo.
Vamos ver se continua assim… O xamã lançou um feitiço usando toda sua energia restante.
Símbolos estranhos entraram no corpo de Augusto. Seus movimentos começaram a parar.
Os trolls aproveitaram e iniciaram uma chuva de golpes.
"A brincadeira acabou." disse Augusto. Antes que os ataques o atingissem, sua energia mudou. Seu corpo voltou a se mover.
Ele deu um salto e girou a espada. As cabeças dos trolls voaram.
"A brincadeira estava boa, mas você estragou… Se me contar algumas coisas, te darei uma morte rápida e limpa." disse, caminhando sobre a chuva de sangue.
O xamã ficou paralisado. Os cinco morreram em instantes. Quando o humano decidia que era o fim, era o fim.
"O-o que você quer saber?" tremia.
"Por que vocês estavam aqui? Qual o objetivo?" Augusto apontou a espada para sua garganta.
"Somos um grupo renegado de um clã distante. Nosso objetivo era encontrar uma aldeia ou cidade livre para nos estabelecer."
Cidades livres eram locais onde qualquer raça podia morar, mas ficavam longe dali.
Ele não está mentindo. concluiu Augusto. Sua sensibilidade à energia revelava pequenas agitações quando alguém mentia.
"Porém encontramos esta caverna. Dentro dela existe uma besta poderosa…"
"E o que tinha de especial para vocês ficarem aqui?"
"Uma planta espiritual. A besta a guarda. Essa planta poderia nos fazer evoluir." O xamã tremia.
"Interessante." disse Augusto, cortando sua cabeça.
Mas seu foco já estava dentro da caverna.
Besta poderosa… aí vou eu.
