Cherreads

Chapter 5 - trolls

A floresta estava sempre agitada. Podiam-se ouvir diversos sons de bestas lutando, fugindo, ameaçando.

Em contraste com a selvageria, um garoto corria tranquilamente. Não corria fugindo ou com medo, mas sim com entusiasmo.

Era de conhecimento geral que trolls possuíam sangue com altas capacidades regenerativas.

Os alquimistas da cidade usavam esse sangue como ingrediente principal para poções de cura de nível médio.

Uma porção desse nível custava entre 4 e 10 moedas de ouro. Tal riqueza era invejável: uma única porção valia anos de trabalho de pessoas comuns.

Aqueles que podiam comprar tais itens eram guerreiros e magos experientes, que acumularam fortuna ao longo da vida.

Augusto estava entusiasmado com o dinheiro que receberia ao vender aqueles corpos. Perigo? Embora fosse uma batalha difícil, ele estava confiante de que sairia vitorioso.

Chegando à margem de um rio, parou. Aquele era o local onde a aldeia buscava água.

Só preciso seguir perto do rio até encontrar um monte sem vegetação e com uma caverna, pensou, acelerando ainda mais.

Duas horas depois, um jovem estava em cima de uma árvore observando a entrada de uma caverna.

A entrada tinha mais de 5 metros de altura e 10 de largura. Sem árvores ao redor, era fácil de encontrar.

Vamos lá. Ele pulou da árvore e se aproximou da entrada.

Sinto cheiro de sangue.

O forte odor estava presente apenas perto da entrada.

No momento em que ia entrar, seu corpo tremeu por inteiro.

Uma barreira… o xamã troll fez isso. Parece que vou ter que esperar meus amiguinhos saírem de dentro.

Por sorte, seus sentidos eram afiados. Antes de entrar na área de detecção, recuou no último segundo.

Vamos esperar aqui. Voltou para a árvore que lhe dava visão de todo o monte.

Três horas se passaram, e a noite finalmente chegou.

Esses malditos não vão sair? Embora fosse calmo, tinha um pote de dinheiro diante de si e não queria perder a oportunidade.

Naquele momento, sons ecoaram da caverna.

Três figuras apareceram. Cada uma tinha mais de 2,50 metros de altura, pele azul grossa como ferro e dentes do tamanho de um braço. Essas eram as principais características de um troll.

"Vamos caçar. O xamã anda com raiva por não conseguirmos matar aquelas bestas…" disse o troll do meio em sua língua nativa.

"Que tal humanos? Da última vez que lutamos, o xamã ficou feliz em comer carne humana." disse o da esquerda.

"Não. Só nós três não conseguimos matar todos os humanos. Perdemos dois irmãos contra aquela besta maldita. Vamos pegar algo simples." respondeu o terceiro.

Eles desceram do monte com tranquilidade. Sem medo, afinal estavam no topo da cadeia alimentar da região. Quem poderia enfrentá-los?

Naquele momento, ao passar por uma árvore, um dos trolls parou de repente.

"Calma, eu sinto cheiro de um hum—" Antes de terminar, sua cabeça voou.

Os outros dois trolls não entenderam nada.

"O mais esperto já foi." Quando o corpo sem cabeça caiu, um humano apareceu atrás dele com um sorriso, o rosto coberto de sangue azul.

"Humano, você veio morrer!" rugiu um troll, correndo em direção a Augusto.

A arma principal dos trolls era um porrete de madeira especial, tão resistente quanto metal.

Clang!

O som da espada contra o porrete ecoou pela floresta.

O segundo troll apareceu pela direita, atrás do outro, com um ataque perfeito para explodir a cabeça do humano.

Clang!

Mais uma vez o som ecoou. Os dois trolls recuaram alguns passos, espantados.

O humano havia defendido o ataque com a própria cabeça? Que tipo de aberração era aquela?

"Excelente. Não esperaria menos da força de um troll adulto." Augusto sorriu, sangue vermelho escorrendo da testa.

"Maldito, precisamos vingar nosso irmão!"

Os trolls correram juntos, coordenados.

Um ataque de cada lado. Como o humano reagiria?

Crack!

O som de madeira sendo cortada ecoou.

O ataque que deveria esmagar Augusto resultou em suas armas sendo destruídas.

E para piorar, o humano não estava usando sua espada. Ele havia feito aquilo apenas com as mãos.

"Irmão, ele deve ser um guerreiro humano de núcleo laranja. Só isso explica tamanha força."

Guerreiros de núcleo laranja eram poderosos. Um troll seria facilmente eliminado por um deles.

Os trolls conversavam em sua língua materna, mas Augusto entendia o medo deles.

"Não sou um guerreiro de núcleo laranja. Mas quem disse que preciso ser um para eliminar vocês?" Ele avançou com a espada em mãos.

Sua velocidade era alta demais para os trolls reagirem. Sem armas, só podiam usar as mãos.

Slash!

Augusto cortou os braços dos dois trolls, deixando apenas cabeça, tronco e pernas.

"Nossos irmãos nos vingarão, humano. Seu futuro será a morte!" rugiu um deles, cuspindo nele.

"O futuro de todos é a morte. Mas não serão seus irmãos que farão isso comigo."

Augusto cortou as cabeças deles.

Hora de colher dinheiro. Um sorriso surgiu em seu rosto.

Ele tirou um colar, e nele havia um anel marrom envelhecido.

Era um anel de armazenamento, presente que seu pai o deu há alguns anos atrás.

Dentro dele havia um espaço vazio de 10x10 metros. Logo, os três corpos dos trolls foram armazenados ali.

Agora… os outros vão sair ou eu entro? pensou, subindo novamente na árvore.

Do topo, ao olhar para a entrada da caverna, levou um susto.

Um troll segurando um cajado o encarava diretamente. Atrás dele, cinco trolls surgiam, seus olhos tomados pela ira e pela fúria.

"Avancem." ordenou o xamã.

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