Cherreads

Chapter 7 - lagarto da montanha

Augusto colocou todos os corpos dos trolls dentro do anel. As armas também foram guardadas, já que no mercado poderiam render um bom dinheiro.

Ao chegar na entrada da caverna, percebeu que a antiga barreira havia sumido. O cheiro de sangue estava ainda mais forte.

Então a barreira servia para alertar a entrada de intrusos e também para segurar o cheiro, evitando atrair outras bestas.

Barreiras eram algo muito útil. No mundo humano existia uma classe chamada mestres de matrizes, responsáveis por manter grande parte da segurança das cidades. Mas seguir esse caminho era difícil: alquimistas, mestres de matrizes, ferreiros, artesãos… todos dependiam de conhecimento que a elite não compartilhava. Sem um mestre ou herança, só restava tentar sozinho.

Ele mesmo estudava sozinho o caminho de alquimista. Se não fosse por sua sensibilidade alta e pensamento rápido, ainda estaria preso tentando descobrir como manter plantas com efeito mesmo depois de processadas.

A bomba de fumaça que ele havia criado foi resultado de muitos testes. Misturou substâncias de uma besta que anulava cheiro para predadores, juntou com uma planta que liberava fumaça ao ser esmagada e adicionou pó de carvão. O resultado foi aquela fumaça cinzenta.

Ele ainda tinha várias ideias para melhorar, mas deixou de lado depois de perceber a dificuldade.

Outra invenção sua era um pó capaz de bagunçar o controle de energia. Foi o que aplicou contra Victor e seus guerreiros. O efeito era fraco, mas como eles também eram fracos, funcionou.

Entrando mais fundo na caverna, viu espadas quebradas, roupas rasgadas e ossos espalhados.

São dos guerreiros da aldeia… pensou, recolhendo tudo. Os ossos precisavam ser cremados pelas famílias. Era comum: ninguém queria ver restos de parentes sendo usados por bestas.

Descendo mais, encontrou dois corredores. O da esquerda emanava uma energia forte.

A planta espiritual e a besta estão desse lado. Vou dar uma olhada no outro primeiro.

Entrou no corredor da direita, avançando com passos firmes. Chegou a um espaço fechado, com camas de palha e ossos de bestas no chão.

Perto de uma cama havia um baú simples de madeira.

Meu deus… tantas moedas de ouro. Dentro havia mais de 300 moedas, além de dois anéis de armazenamento.

O xamã também tinha um anel, mas abrir um que não era seu demorava muito. Decidiu deixar para depois, na aldeia.

Ao pegar os anéis, sentiu uma energia mais forte do que a do xamã.

Esses caras não foram renegados à toa… provavelmente roubaram antes de fugir.

Vasculhou o lugar, mas não encontrou mais nada.

Agora é hora de ver aquela besta.

Voltou e entrou no corredor da esquerda. A cada passo, sentia a energia aumentar. Bestas sempre faziam ninhos em lugares assim.

Com tanta energia, nascer ali trazia grandes benefícios.

O caminho era mais longo, mas logo chegou ao fim.

No final, viu um cogumelo marrom emanando energia abundante. Ao lado, um lagarto gigante dormia. Atrás dele, outros menores e oito ovos enormes.

Aquilo é… No ninho, dois corpos sem vida: trolls. O braço direito de Victor havia dito que eram dez mais o xamã. Ele já tinha matado oito e o xamã.

Não preciso me preocupar com eles. O problema são esses grandões.

Ele conhecia aquela raça: lagartos das montanhas, descendentes dos dragões da terra.

Os dragões da terra eram tão grandes que podiam ser confundidos com cordilheiras inteiras. Seus descendentes também eram enormes.

O grandão deve ser o macho, o resto são fêmeas. Não tinha muitos planos. Era só matar e ir embora.

Mas descendentes de dragão eram poderosos.

Respirou fundo e concentrou toda a energia até sentir seu corpo no auge novamente. Dez minutos se passaram.

Pronto, vamos lá. Perto da planta espiritual, recuperar energia era muito mais rápido.

Entrou no ninho, tentando se aproximar do macho sem acordá-lo.

Mas o plano falhou.

O lagarto abriu os olhos e viu o humano. Seu corpo imenso se levantou, mostrando todo o tamanho: três metros de altura, cinco de comprimento, escamas marrons duras como armaduras.

ROAR!

O rugido sacudiu a caverna. As fêmeas acordaram. Elas eram menores, mas ainda assustadoras.

É melhor fazer isso de frente. Augusto avançou.

O macho balançou o rabo, criando um vento forte que o empurrou para trás.

Essa é a força dessa besta? Deu alguns passos para trás, mas não se impressionou.

O macho o encarou com raiva. Abriu a boca e reuniu energia. Uma esfera de fogo foi lançada.

Maldito, consegue usar fogo. Augusto ia desviar, mas percebeu que o ataque não era contra ele.

BOOM!

O fogo atingiu o corredor, bloqueando a saída.

"Pobre criatura… você não me trancou aqui dentro. É você que está preso comigo." disse, sorrindo.

O lagarto ficou confuso. Que tipo de humano sorria diante da morte?

"Irei lutar sério."

Sua espada não brilhou como antes. O brilho era o básico de um guerreiro usando energia. Mas agora, a energia concentrada era tão intensa que parecia cortar até os olhos de quem olhava.

Era a intenção da espada, uma energia exclusiva dos guerreiros.

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