Quatro dias depois.
A aldeia viveu os últimos dias em agitação; boatos sobre uma rebelião contra o atual líder se espalhavam por todos os cantos.
Os líderes dessa rebelião seriam Marco e Karla, um casal com menos de 25 anos que fazia parte do núcleo vermelho. Ambos possuíam reputação por toda a aldeia, sempre ajudando moradores e guerreiros mais fracos.
Entre os habitantes, alguns não gostavam da ideia de vê-los como líderes. O motivo variava entre inveja e apoio a outras pessoas.
Ao meio-dia, uma multidão se reuniu no centro da praça. O calor era sufocante, e o ar parecia pesado com a expectativa de sangue.
De um lado estavam Marco, Karla e outro guerreiro de núcleo vermelho, acompanhados por 30 guerreiros.
Do outro lado, Victor e seu braço direito, também guerreiros de núcleo vermelho, com 25 homens ao seu lado.
"Parece que seus planos foram um fracasso, Marco e Karla. Como líder desta aldeia, pouparei suas vidas caso abaixem suas armas agora." disse Victor, um homem na casa dos 40 anos, de cabelos grisalhos e cicatrizes antigas espalhadas pelo corpo.
Os guerreiros de Victor estavam confiantes. Já os do casal mostravam nervosismo: o plano havia sido descoberto depois que alguém passara informações para Victor.
"Foi como ele disse, uma batalha frontal aconteceria no final." murmurou Karla.
O ambiente mudou de repente. Ele disse? Quem disse o quê?
Os guerreiros de cada lado se entreolharam, tentando entender a quem ela se referia.
"Ele? Você está falando daquela criança?" Victor demonstrou surpresa.
"Sim, ele disse que alguém contrariaria nossos planos e, no fim, haveria uma batalha frontal." respondeu Marco.
O guerreiro ao lado deles ficou chocado. O garoto a quem se referiam era apenas um jovem de 15 anos que vivia trancado em casa?
Victor riu. Ele havia caído em um plano arquitetado por uma criança.
"Não importa. Homens, saquem suas espadas e ataquem!" ordenou.
"Preparem-se também!" gritou Marco.
O som metálico das espadas ecoou pela praça, misturado ao barulho dos passos e gritos de guerra.
As armas dos guerreiros do casal brilhavam, fortalecidas pela energia que as tornava mais resistentes e poderosas.
Já os guerreiros de Victor estavam confusos: a energia que deveria fortalecer suas espadas se dissipava no meio do caminho.
Isso... eles não conseguem usar energia direito. Com certeza é obra dele, pensou Marco, sentindo a confiança crescer.
"Avancem!!!" gritou. Se os guerreiros inimigos não podiam usar energia, não significava que a vitória estava garantida?
Victor e seu braço direito estavam perplexos. Até mesmo eles não conseguiam usar energia corretamente; o brilho em suas espadas era mínimo.
Naquele momento, Marco, Karla e o aliado de núcleo vermelho atacaram juntos. Victor conseguiu se defender, mas seu braço direito recuou alguns passos.
"Darius, cuide dele." ordenou Marco.
"Certo." respondeu o guerreiro grisalho, um dos mais antigos da aldeia.
"Malditos, não pensem que vou cair tão facilmente!" gritou o guerreiro inimigo.
Enquanto isso, os outros guerreiros lutavam. O choque das espadas levantava faíscas, e cada golpe ecoava pela praça. Um lado não conseguia usar energia; o outro podia usar sem problemas.
As armas dos guerreiros inimigos eram cortadas ou quebradas com facilidade.
Como instruído antes, os guerreiros do casal não matavam os inimigos. Afinal, todos eram moradores da mesma aldeia. Muitos haviam crescido juntos, alguns até tinham laços familiares. Se se matassem, a aldeia nunca superaria tal ferida.
"Larguem suas espadas!" alguns guerreiros gritaram.
Os moradores estavam com os nervos à flor da pele. Aqueles eram amigos, primos, cunhados. Mesmo sem mortes, ninguém queria ver familiares lutando.
"Aquela criança fez isso tudo?" Victor observava incrédulo.
Seu lado estava perdendo sem dúvidas. A raiva tomou conta. Ele havia sido manipulado por uma simples criança?
"Desgraçado!" rugiu.
Naquele instante, sua energia ficou mais forte. Marco e Karla se assustaram com a quantidade liberada.
Sua espada, que mal brilhava, começou a emitir uma luz intensa.
Victor lançou um ataque contra Karla, que recuou alguns passos. Outro golpe poderoso foi contra Marco, que também recuou.
"Agora vocês morreram!!!" gritou, sua energia crescendo ainda mais.
"Merda, esse maluco está ficando mais forte..." Karla tossiu sangue.
"Não sei o que Augusto fez com ele e os outros, mas não está funcionando nele." disse Marco, ainda resistindo.
"Eu vou matar vocês e aquela criança maldita, assim como matei o pai dele!" Victor bradou com fúria.
Naquele momento, todos pararam.
Ele havia matado o antigo líder da aldeia?
Sempre se acreditou que o antigo líder tinha morrido protegendo guerreiros e moradores de uma invasão de monstros. Agora Victor afirmava que tinha sido ele quem o matou?
"Então foi isso que aconteceu naquela época..." uma voz jovem ecoou pela praça.
Todos se viraram.
Augusto caminhava lentamente até o centro da praça. O silêncio era tão pesado que até o som das espadas desapareceu.
Sua postura era calma, como o mar antes da tempestade. Os braços cruzados para trás lhe davam a aparência de um nobre acima de todos.
Cada passo levantava poeira, e os olhares dos guerreiros se fixavam nele. Alguns sentiam espanto, confusão e respeito diante daquela presença inesperada.
Seu cabelo castanho curto refletia a luz do sol. Seu rosto tinha traços admiráveis, e sua altura de 1,80 metros impunha respeito.
Vestia uma roupa de couro elegante, feita com materiais de qualidade, que realçava sua postura firme. À cintura, a bainha se encaixava perfeitamente, completando a imagem de alguém nobre e imponente.
Victor o encarava com ódio, mas também com surpresa.
"Sempre achei estranho meu pai morrer para simples monstros que enfrentava diariamente. Bom... você quer tirar sua própria vida ou devo ir até aí arrancar essa sua cabeça imunda?" Augusto disse com frieza.
A multidão prendeu a respiração.
Aquele era Augusto, ou como era conhecido pela maioria: o distante.
