Cherreads

Chapter 4 - revelação

Alguns guerreiros não gostavam da decisão tomada, porém não tinham confiança para lutar contra Augusto, restando apenas aceitar a situação.

"Ei você, eu tenho algumas perguntas para fazer." Augusto encarou o antigo braço direito de Victor.

"Eu? O que você quer de mim?" Embora falasse com arrogância, estava nervoso por dentro. Se aquele garoto quisesse matá-lo, ninguém ali poderia impedir.

"Você sabia que Victor matou meu pai? Ele teve ajuda de mais pessoas?"

"Não sabia. Eu comecei a trabalhar com ele depois da morte do seu pai. Mesmo quando ficávamos bêbados, ele nunca falava nada sobre ter matado o antigo líder."

Ele não está mentindo, pensou Augusto.

"Karla me contou que alguns dias atrás Victor reuniu metade dos guerreiros e saiu da aldeia. Esse evento foi praticamente a sentença de ruína dele. Para onde vocês foram?"

Ele estava curioso. Que lugar faria dezenas de guerreiros e uma dupla de núcleo vermelho voltarem derrotados?

"Bem…" o braço direito de Victor olhou ao redor. Até os regentes estavam curiosos.

"Há algumas semanas Victor encontrou uma caverna. Lá havia um ninho de bestas. No final, ele recuou e preparou um ataque contra aquele ninho. Como todos sabem, o local onde as bestas fazem seus ninhos é sempre especial por algum motivo. Porém, quando voltamos lá outra vez…"

Seu corpo tremeu ao lembrar.

"Encontramos 10 trolls adultos. Entre eles havia um xamã. Fomos rapidamente derrotados. Victor instruiu a não contar a ninguém para não espalhar o terror."

Todos ficaram surpresos. Dez trolls adultos e ainda um xamã? Era preciso saber que um troll adulto tinha a força de um guerreiro de núcleo vermelho, e um xamã poderia aumentar ainda mais esse poder.

Xamãs são os magos das criaturas, controlam o campo de batalha com feitiços e inteligência elevada.

Lutar contra 10 trolls já seria difícil. Contra 10 trolls com um xamã atrás deles? Isso significaria o fim da aldeia.

"Aqueles trolls? Quão longe eles estão de nós?" perguntou um dos guerreiros que não participou da batalha.

"12 km."

Só 12 km? Isso era muito próximo. Assustador saber que essas criaturas estavam tão perto.

"Eu vou dar uma olhada." Augusto, que estava em silêncio durante a explicação, voltou a falar.

"O quê?" Todos reagiram da mesma forma. O que o garoto faria?

"Simples. Irei até essa caverna e verei a situação. Talvez os trolls estejam apenas de passagem ou queiram formar uma aldeia."

Aquelas palavras assustaram todos. Formar uma aldeia? Isso não significaria a morte de todos ali presentes?

"Embora eu não seja um guerreiro e não entenda sua força por completo, não seria arriscado você ir lá?" Moisés estava receoso.

"Não. Já me aventurei em lugares mais perigosos."

Uma resposta curta, porém marcante. Aquele garoto mal saía de casa… que lugares perigosos eram esses?

"Eu vou com você." Marco decidiu.

"Eu também." Karla se ofereceu.

"Não. Eu vou sozinho. Apenas farei um trabalho de batedor e verei como está a situação."

Ninguém sabia o que fazer. O futuro da aldeia estava em jogo. Se os trolls quisessem atacar, restariam apenas centenas de moradores mortos e uma aldeia destruída.

"Qual a sua confiança de que voltará bem? Não esqueça que você é o líder da aldeia agora." Murilo perguntou.

"100%. Mesmo que todos os trolls e o xamã aparecessem, eu ainda sairia vivo." Augusto respondeu com sinceridade.

Embora os moradores e guerreiros acreditassem que ele ficava só trancado em casa, Augusto era um aventureiro noturno.

Ele tinha o costume de ir à floresta à noite, matando diversas bestas que tentavam entrar na aldeia, além de colher plantas para estudo, passando por várias situações de vida ou morte.

"Sua confiança não faz sentido, garoto. A solidão dentro de casa fez você perder o senso das coisas? Eles são trolls! Nem Victor conseguiu matar um. Como você sairia vivo de lá?"

O homem havia lutado ao lado de Victor contra os trolls. Ele viu a regeneração assustadora daquela raça. Para matar um troll, era preciso ser pelo menos um guerreiro de núcleo laranja.

Claro, esse era o pensamento dele e de Victor.

"Bem, eu sou bem mais forte que Victor." Augusto respondeu com um sorriso, apontando para o corpo sem cabeça de Victor.

"Maldito!!" rugiu o homem com raiva.

Porém não agiu, sabendo que não tinha chance.

"Apenas me dê a localização da caverna com os trolls." Augusto riu da raiva do homem.

Então o homem explicou a localização exata e como chegar lá, embora fizesse comentários desnecessários no meio.

Fazendo um mapa mental da região, Augusto estava pronto para partir.

"Como líder, essas são minhas primeiras ordens. Se vocês quiserem ouvi-las ou não, não me importo." Ele parou e olhou cada um presente na praça.

"Marco e Karla, limpem essa bagunça no meu lugar. Moisés, Murilo e Matheus, reúnam os moradores e digam que fui escolhido como novo líder. Também falem sobre as condições que impus. Digam para se referirem a Marco como líder na presença de pessoas de fora. Com isso, estou partindo. Quando eu voltar, convocarei outra reunião para tomar mais decisões."

Todos queriam falar alguma coisa, mas vendo o jovem partir, apenas esperariam pelo seu retorno.

Com passos largos, ele começou a sair da praça.

"E quanto a nós?" perguntou um guerreiro que não participou da batalha.

"Voltem para casa. Quando eu voltar, terei uma conversa melhor com todos."

Com isso, ele saiu da aldeia.

A posição da aldeia era estratégica, localizada em um monte. Por causa disso, quando aconteciam ataques de bestas e criaturas, sempre tinham vantagem.

Embora não tivesse muros grossos, havia uma cerca de madeira afiada cercando toda a região de moradia.

Descendo o monte, podia-se ver uma floresta verde. Sons de incontáveis bestas ecoavam dali.

A aldeia mais próxima ficava a 40 km de distância, e a cidade mais próxima a mais de 600 km.

Ir até a aldeia vizinha duraria um dia de viagem. Para a cidade, mais de 10 dias. Claro, se Augusto resolvesse ir sozinho, como já fizera várias vezes, demoraria menos de um dia para chegar à aldeia e menos de 5 para a cidade.

Nunca matei um troll antes. O sangue deles pode ser vendido por um bom preço na cidade. pensou, caminhando tranquilamente. Os perigos da floresta não eram nada para ele.

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