Cherreads

Chapter 33 - Diversão noturna

“Chegamos.” Karol, que liderava o caminho durante todo o percurso, disse.

Depois da batalha contra os lobos, nada aconteceu até chegarem à entrada da mina.

“Certo, pessoal. Karol, fique de guarda com os outros. Algumas pessoas vão buscar madeira para a fogueira e para fazer uma cerca. Álvaro, comece os trabalhos com os outros.

Mineradores, descansem por enquanto. Vou dar uma olhada para ver se nenhuma besta entrou na mina.”

Augusto começou a distribuir as ordens.

Ninguém ficou parado. Os guerreiros começaram a cortar madeira, enquanto os magos de terra erguiam paredes de terra.

Os mineradores conferiam seus equipamentos, os magos de fogo preparavam algumas tochas e os magos de água criaram um pequeno poço para lavar os minérios.

Enquanto isso, Augusto percorria os corredores da mina.

‘Está mais quente do que da última vez. Antes, o calor só existia no corredor da cobra, agora se espalhou por toda a mina. Espero que nada estranho tenha acontecido.’

Pensou enquanto voltava para avisar que tudo estava tranquilo.

“Karol, vou dar uma olhada no corredor principal para ver o que há lá. Se escutar algum barulho ou sentir algum tremor, tire todos de perto.”

Ela era a pessoa mais forte da aldeia depois dele.

“Entendido.” Respondeu ela.

“Você vai descer o corredor principal? Meu pai e o velho Harry sempre tentaram explorar aquele lugar, mas sempre voltavam com os corpos queimando de tão quente.” Disse o filho de Darius, marido de Karol.

“Sério?”

Augusto ficou surpreso.

Aquilo apenas aumentou seu interesse pelo lugar.

“Sim. Eles disseram que, quando chegavam a certo ponto, o calor era tão intenso que nem conseguiam manter os olhos abertos.”

“Tão quente... certo, vou dar uma olhada também.”

Depois de dar as últimas ordens para todos permanecerem atentos, ele entrou na mina.

30%.

Essa era a concentração da energia elemental de fogo logo no começo do corredor.

Conforme descia, percebeu um padrão. A cada cem metros, o calor aumentava e a presença do elemento fogo subia cerca de 5%.

Quando desceu mais de quinhentos metros, seu corpo já não suportava mais.

Seus olhos ardiam e o suor evaporava em questão de segundos.

“Esse é o meu limite sem usar energia para me proteger.”

Uma camada de energia cobriu todo o seu corpo, reduzindo a temperatura e impedindo que seus olhos secassem.

“Vamos descer mais um pouco.”

Depois de avançar mais duzentos metros, encontrou o ninho da cobra.

Era imenso.

Diversos ossos de bestas estavam espalhados pelo chão. Havia bolas de pelos e também uma enorme pele de cobra abandonada.

“Quantos tesouros devem estar enterrados aí?”

Ele olhou para uma verdadeira montanha de fezes.

Aquela cobra provavelmente havia matado muitos humanos. Era bem possível que existissem anéis de armazenamento escondidos naquela pilha.

“Não sou pobre o suficiente para vasculhar isso... mas posso mandar outra pessoa fazer esse trabalho por mim.”

Falou rindo.

Alguém seria castigado e jogado ali para procurar tesouros.

“Agora entendo por que ela não abandonou esse lugar. Aqui é quente até mesmo para uma cobra acostumada com calor.”

A energia elemental de fogo já havia alcançado 65%.

Nem mesmo um vulcão comum possuía uma concentração tão alta.

Como não encontrou mais nada de interessante, decidiu continuar descendo.

Mas, depois de avançar mais cem metros, o calor tornou-se tão intenso que nem ele conseguia suportar.

“Isso só fica tão quente durante o inverno... que estranho.

Vou deixar isso para investigar quando o inverno acabar.

Por enquanto, encontrei um ótimo lugar para refinar minha energia de fogo sem precisar viajar muito. Além disso, os magos de fogo poderão treinar muito melhor aqui.”

Suas preocupações estavam resolvidas por enquanto.

Os magos de água, vento e fogo agora possuíam bons locais para treinar. Quando o inverno terminasse, alguns deles talvez conseguissem alcançar o núcleo vermelho-escuro.

Ele subiu alguns metros, até encontrar um ponto onde não precisasse gastar tanta energia para resistir ao calor.

Então concentrou toda a sua atenção em refinar a energia elemental de fogo.

Cinco horas depois, conseguiu reduzir ainda mais a porcentagem do elemento terra.

Sua distribuição agora era:

35% Terra

34% Energia pura

14% Vento

10% Água

7% Fogo

Ele conseguia aumentar esses poucos pontos naturalmente na aldeia, já que lá o ambiente não era dominado por um único elemento.

Como a energia pura era a mais fácil de controlar, ele sempre a utilizava para reduzir a porcentagem de terra.

Tudo o que precisava era de tempo para alcançar os 20% desejados.

“Está na hora de voltar.”

Ao sair da mina, encontrou os arredores completamente tranquilos.

“Líder da aldeia, você voltou.”

Um dos guerreiros de guarda foi o primeiro a notá-lo.

“Como estão as coisas?”

Perguntou.

Ele havia passado várias horas dentro do corredor.

“Tudo tranquilo. Estamos terminando os preparativos para passar a noite.”

Respondeu o guerreiro.

“Ótimo.”

Augusto caminhou pelo acampamento.

Viu alguns magos aprendendo com os mineradores a maneira correta de limpar os minérios.

Provavelmente alguém havia feito algo errado, pois o minerador parecia bastante irritado.

“Líder, alguns batedores voltaram dizendo que viram alguns ursos andando pela região. Devemos caçá-los?”

Perguntou um homem.

“Não. Preservem suas forças. Ficaremos aqui por alguns dias. Se as bestas não vierem até nós, nós não iremos atrás delas.”

Respondeu.

Mas seus pensamentos eram completamente diferentes.

‘Ursos... vou aproveitar para esticar um pouco o corpo.’

Quando a noite chegou, quase todos já estavam dormindo.

Os magos estavam exaustos depois de passarem o dia inteiro trabalhando.

Os guerreiros descansavam, enquanto alguns permaneciam de vigia.

Os mineradores roncavam como tambores sendo batidos. Trabalho braçal era extremamente cansativo.

‘Vamos ver que tipo de bestas existem por aqui.’

Augusto passou escondido pelos guardas.

Ele não queria que ninguém o seguisse.

Depois de correr alguns quilômetros, sentiu uma mudança na energia do ambiente.

‘Uma luta.’

Pensou enquanto acelerava ainda mais.

Cinco ursos brancos, com mais de cinco metros de altura, rugiam furiosamente.

Seus corpos estavam cobertos por pequenos ferimentos.

Trinta lobos brancos, com quase dois metros de altura, usavam sua velocidade como principal arma.

Vários já estavam mortos no chão.

Vinte alces gigantes, com cerca de quatro metros de altura, também participavam daquela carnificina.

Além deles, havia diversas outras bestas espalhadas pelo campo de batalha.

Todas estavam mortas.

‘Pelo que eles estão lutando?’

Augusto observava tudo de longe.

Mesmo usando sua sensibilidade, não conseguiu detectar nada de diferente.

Depois de alguns minutos observando, sua curiosidade chegou ao limite.

Como uma flecha, disparou na direção de um dos ursos.

Mesmo em menor número, eles eram claramente os mais fortes.

O pobre urso nem percebeu quando sua cabeça foi decepada.

Seu enorme corpo caiu como uma montanha, revelando um humano que estava escondido atrás dele.

“Venham todos para cima de mim. Assim fica mais divertido.”

Augusto falou enquanto usava sua energia, assim as bestas entenderiam sua ações.

Se todos não viessem atacá-lo ao mesmo tempo, aquela luta não teria graça.

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