Cherreads

Chapter 32 - Cru

Em uma pequena região da superfície da pedra espiritual, havia um pouco de energia.

Porém, a coisa mais importante era que aquela energia não era a mesma de antes. Era a energia potencializada que saía do funil.

Toda a pedra estava seca, existia apenas uma pequena quantidade de energia naquela região.

“Quando foi que isso aconteceu?” Ele tentou se lembrar.

Sua mente trabalhou até encontrar o momento em que aquilo poderia ter acontecido.

“Foi naquele momento.” falou ao se lembrar.

Achando que o experimento tinha sido um fracasso, ele deixou o funil e a pedra juntos. Depois aconteceu toda a conversa com a irmandade e, quando voltou, apenas guardou os dois sem olhar novamente para sua suposta falha.

“Vamos observar a mudança.”

Ele colocou o funil sobre a pedra e observou com toda a atenção.

Uma hora se passou sob vigilância constante.

A quantidade de energia dobrou. Se antes existiam 100 pequenas esferas de energia, agora havia 200.

‘Vamos observar mais um pouco.’ pensou.

Quatro horas se passaram rapidamente.

A cada hora, a energia continuava dobrando.

Agora já existiam mais de 3.200 pequenas esferas.

Durante esse tempo, ele percebeu que havia errado em algumas conclusões anteriores.

O repelimento não acontecia por causa da superfície da pedra. O verdadeiro motivo era que a entrada era pequena demais para uma esfera de energia potencializada.

Ele também percebeu que a energia só estava se multiplicando na superfície.

“Agora eu compreendo o motivo de o criador desse item tê-lo jogado fora. Essa pequena mudança tornou todos os outros itens inúteis. Uma matriz não conseguiria prender essa energia, pois seu formato é maior. Uma rede pequena não prende um peixe grande.”

Sempre que via uma matriz, ele percebia a energia do ambiente mudar de acordo com sua função. Por causa disso, conseguia identificar quando era uma barreira, uma matriz de detecção ou qualquer outro tipo.

“A mesma lógica é aplicada aos itens, mas... como alguém capaz de criar um artefato desses não conseguia sentir energia nesse nível?” Ele refletiu por um tempo.

O velho que encontrou da última vez era, no mínimo, um núcleo verde, e mesmo assim só conseguiu perceber que o núcleo de David não estava desequilibrado.

Já Augusto sabia exatamente a porcentagem.

Quão grande é minha sensibilidade para conseguir enxergar essas coisas?

Como suas perguntas não seriam respondidas, ele continuou observando a pedra.

Uma noite inteira se passou.

Era o dia de ir até a mina, montar um acampamento e iniciar a mineração.

Antes, ele só conseguia perceber a mudança da pedra depois de se concentrar bastante. Agora ela já era visível a olho nu.

“Vou deixar isso aqui.”

Ele colocou o funil e a pedra sobre a mesa do porão.

“Pessoal, estou indo arrumar a casa de vocês. Não façam muita bagunça.”

Disse enquanto passava a mão nos lagartos.

“Kyu, kyu.”

Os lagartos responderam felizes. Aquele lugar já estava ficando pequeno demais para todos eles.

Na entrada da aldeia, cem pessoas esperavam o jovem líder.

Cinquenta guerreiros e cinquenta mineradores estavam prontos para o início dos trabalhos.

Mais ao lado, treze crianças e jovens vestiam roupas de magos.

Hoje eles fariam sua primeira missão.

“Todos estão aqui?”

“Sim, jovem líder.”

“Sim, senhor.”

Cada grupo respondeu.

“Vamos. São mais de oito quilômetros de distância. Vamos tentar chegar antes do meio-dia.”

O grupo partiu em direção à mina.

Augusto caminhava próximo dos magos. Ele percebeu que, tirando os magos de fogo, todos já estavam no nível médio do núcleo preto.

Como existia pouca energia elemental de fogo, o avanço deles era o mais lento.

“Não se preocupem. Acho que encontrei um lugar perfeito para vocês.”

Disse dando dois tapinhas nas costas de um deles.

Os ânimos estavam baixos. Álvaro já havia alcançado o núcleo vermelho-escuro, enquanto eles ainda não tinham conseguido chegar nem ao nível médio.

“Jovem líder, e a gente?” perguntou uma menina do tipo vento.

“O inverno é ótimo para vocês e para o pessoal do tipo água, desde que treinem todos os dias.”

Respondeu enquanto passava o olhar pelos grupos de magos.

“Qual será o nosso propósito nesta missão?” perguntou Álvaro, que caminhava mais à frente.

“Os magos do tipo terra ajudarão na construção do acampamento, criando paredes de terra para servir de proteção.

O pessoal do tipo água e vento ajudará na limpeza dos minérios. Será um bom treinamento para medir o controle de energia de vocês.

Por fim, o pessoal do tipo fogo, além de criar as tochas, também vai treinar.”

As crianças e os jovens dos tipos água e vento não gostaram da tarefa.

“Esse trabalho parece chato.” reclamou um menino.

“Nenhum trabalho é chato. Vocês ainda são muito fracos para participar de batalhas. Além disso, quebrar a rotina também faz bem.”

Sua conversa com os pequenos magos continuou por mais algum tempo.

“Bestas à frente!”

Karol e seu marido lideravam o grupo.

‘Uma boa oportunidade para ver como está o treinamento de todos.’

Ao ouvir o aviso, Augusto apenas sorriu, como se um espetáculo fosse começar.

“Vamos, pessoal! São apenas alguns lobos. Vamos matá-los para vingar as noites em que fizeram nossos bebês chorarem com seus uivos!”

gritou um homem.

“Você está certo! Meus bebês choram por causa de vocês!”

Uma mulher nada elegante respondeu enquanto avançava.

Vinte guerreiros correram em direção aos lobos.

Os outros trinta permaneceram na retaguarda para se proteger de possíveis ataques surpresa e defender os mineradores.

“Assistam também. Isso vai fortalecer o estômago de vocês. Além disso, verão como os guerreiros lutam e, no futuro, poderão ajudá-los com suporte.”

Ele falou para os aspirantes a magos.

Quando a batalha começou, sangue de bestas e de humanos tingiu a neve.

Os lobos eram rápidos.

Os humanos eram poderosos.

Quando o primeiro lobo morreu, um dos pequenos magos começou a vomitar.

Logo depois, todos estavam vomitando.

“Eu disse que isso seria útil.”

Augusto comentou, rindo.

Os guerreiros da aldeia já haviam alcançado um bom nível.

Mesmo assim, compará-los à irmandade seria um erro.

Cada membro da irmandade conseguiria enfrentar pelo menos cinco guerreiros da aldeia no mesmo nível.

Ao final da batalha, doze lobos estavam mortos e ninguém havia se ferido.

Graças ao treinamento, a velocidade de reação deles já era suficiente para evitar golpes perigosos.

“Vocês ainda cometem muitos erros durante a luta e também não sabem lutar em equipe. Se houvesse um alfa entre aqueles lobos, alguém poderia ter morrido.”

Suas palavras fizeram o entusiasmo de todos desaparecer.

“No futuro, treinaremos batalhas em equipe. Na verdade... acabei de ter uma ótima ideia.”

“Que ideia?” perguntou Karol, que não havia participado da batalha.

“Vou criar uma competição entre equipes. A equipe vencedora ganhará trinta moedas de ouro.”

Comentou animado.

“É um bom prêmio?” perguntou, curioso.

Todos os presentes ficaram chocados.

Trinta moedas de ouro?

Aquilo era dinheiro suficiente para mudar a vida de qualquer família da aldeia.

“É... é um ótimo prêmio.”

Respondeu Karol nervosa. Aquele valor era maior do que tudo o que ela havia ganhado em anos de trabalho.

“Então está decidido.”

Augusto falou como se aquelas trinta moedas de ouro não significassem absolutamente nada.

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