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Chapter 39 - Abaixando a cabeça

O grande lagarto recebeu toda a aura de Augusto. Suas íris douradas enxergaram os quatro elementos em perfeito equilíbrio, envolvidos por uma energia pura e estável.

Aquela visão foi suficiente para fazê-lo compreender que o humano à sua frente estava muito além do comum.

Mas ele também não era uma criatura comum.

Embora o sangue de dragão em suas veias fosse extremamente diluído, aquela pequena herança havia sido suficiente para torná-lo maior e mais forte que todos os seus irmãos. Em seu instinto, existia apenas uma certeza: um dia ele reinaria sobre todos os lagartos da montanha.

"Abaixe a cabeça. Curve-se diante de mim. Você não passa de uma simples lagartixa. Mesmo que seu sangue de dragão fosse puro, ainda assim teria que se ajoelhar diante de mim." Disse Augusto.

No instante em que terminou de falar, sua aura explodiu.

Todo o porão estremeceu. Poeira caiu do teto, pequenas pedras rolaram pelo chão e o ar ficou tão pesado que até respirar parecia difícil.

ROOOARRR!

O grande lagarto rugiu com toda a força, tentando resistir.

Porém, nenhum som ecoou.

Usando sua energia, Augusto suprimiu completamente o rugido da besta. A pressão esmagadora fez até mesmo o ar ao redor parecer imóvel.

Os pequenos lagartos estremeceram de medo. Encolheram seus corpos e começaram a emitir pequenos gemidos, como se implorassem para que o irmão mais velho desistisse daquela loucura.

Os quatro jovens magos observavam a cena sem conseguir desviar os olhos.

'O jovem líder está em outro nível.' pensou Álvaro.

Durante todas as viagens entre a aldeia e a mina, ele já havia visto guerreiros experientes enfrentarem inúmeras bestas.

Mas nunca... nunca tinha visto uma criatura daquele porte ser dominada apenas pela presença de alguém.

O silêncio permaneceu.

Um humano.

Uma besta.

Os dois mantiveram seus olhares presos um no outro.

Um minuto.

Depois dois.

O grande lagarto respirava pesadamente. Seu corpo inteiro tremia enquanto tentava sustentar o próprio orgulho diante daquela pressão avassaladora.

Por fim...

Tum...

Ele deu um passo à frente.

Depois outro.

Cada passada parecia uma luta contra o próprio instinto.

Quando finalmente chegou diante de Augusto, permaneceu imóvel por alguns segundos.

Suas garras cravavam o chão.

Seu orgulho resistia.

Mas seu instinto gritava ainda mais alto.

Lentamente, o enorme pescoço começou a descer.

Pouco a pouco...

Até que sua cabeça ficou completamente curvada diante de Augusto.

Naquele instante, toda a resistência desapareceu.

Augusto sorriu levemente.

Com tranquilidade, ergueu a mão e acariciou a cabeça da enorme besta.

A tensão que dominava o porão desapareceu como se nunca tivesse existido.

Ao verem aquilo, os pequenos lagartos correram alegremente ao redor do irmão mais velho. Seus gritos agora eram cheios de animação.

O grande irmão havia sobrevivido.

'Incrível... ele domou uma besta apenas com sua aura.' pensaram os jovens magos, completamente admirados.

"Muito bem, garoto." Disse Augusto enquanto continuava acariciando a cabeça da besta.

O humor do grande lagarto estava longe de ser bom.

Seu orgulho havia sido completamente esmagado.

Ainda assim, ele sabia reconhecer um ser muito superior a si. Além disso, enxergava um potencial inimaginável naquele jovem humano.

Segui-lo talvez fosse a melhor decisão de toda a sua vida.

"Seu nome será Drakar. Aquele que um dia se tornará o maior dos lagartos da montanha."

Os olhares dos dois voltaram a se encontrar.

Grrr...

Desta vez, o rugido foi baixo e sereno.

Era um claro sinal de aprovação.

"Certo, está decidido. Quando aquele cogumelo estiver próximo do fim de sua vida, eu permitirei que você o devore. Quanto a vocês, pequenos... no futuro também receberão nomes. Seus montadores serão os responsáveis por escolhê-los."

Enquanto falava, Augusto acariciava a cabeça de cada filhote.

Os pequenos lagartos balançavam a cauda sem parar e corriam pelo porão, incapazes de esconder a felicidade.

"Jovem líder... nós podemos escolher os nomes deles?" Perguntou Álvaro, empolgado.

"Hum... eles são lagartos do elemento terra. Como vocês provavelmente lutarão juntos no futuro, podem escolher os nomes." Respondeu Augusto.

Os quatro jovens magos trocaram olhares animados e correram imediatamente até os filhotes.

Na verdade, eles já tinham vários nomes preparados havia muito tempo.

Augusto apenas sorriu.

'Agora devo conversar com os regentes e verificar como está a situação da aldeia.'

Com esse pensamento, deixou o porão.

Quando saiu de casa, ainda era tarde. Muitos moradores caminhavam pelas ruas da aldeia, enquanto outros acabavam de retornar das missões de coleta.

"Boa tarde, jovem líder." Disse uma senhora ao se aproximar dele.

"Boa tarde." Respondeu Augusto com um sorriso.

"Tome este chá, jovem líder. Fiquei sabendo que o senhor se machucou feio outro dia." Falou a senhora, estendendo um copo de barro.

"Chá? É feito de quê?" Perguntou, levando o copo aos lábios.

"É feito de tanchagem. Nós a colhemos nas redondezas da aldeia. Ela ajuda a fechar feridas, aliviar inflamações e acelerar a recuperação."

Augusto permaneceu em silêncio por alguns instantes.

Assim que o chá percorreu seu corpo, sua sensibilidade percebeu uma energia suave espalhando-se por seus meridianos. O efeito era discreto, mas real.

Desde que alcançou o núcleo laranja, todas as suas antigas feridas haviam desaparecido durante a evolução. Ainda assim, aquela simples planta conseguia produzir um pequeno efeito em seu corpo.

Ele já tinha visto incontáveis pés de tanchagem crescendo pelos arredores da aldeia, mas nunca havia parado para observá-los com atenção.

'Uma planta tão comum... e ainda possui esse efeito. Se eu conseguir extrair melhor suas propriedades, talvez possa criar um remédio barato para todos. Darei uma olhada nela depois.' pensou Augusto.

Ele devolveu o copo de barro à senhora.

"Obrigado. Ajudou bastante."

"Eu que agradeço, jovem líder. As coisas têm ido tão bem desde que o senhor assumiu a liderança."

Aquelas palavras fizeram Augusto sorrir.

Sua responsabilidade como líder não era apenas fortalecer os guerreiros. Seu verdadeiro objetivo era fazer toda a aldeia prosperar.

Enquanto caminhava, mais moradores o cumprimentavam.

Alguns carregavam cestos cheios de frutas e ervas, outros transportavam madeira ou minério. Havia crianças correndo pelas ruas sem preocupação e famílias sorrindo.

Nos últimos meses, ninguém havia morrido.

Todos conseguiam alimento suficiente para viver com tranquilidade. Muitos já tinham dinheiro para comprar roupas novas, melhorar suas ferramentas e até ampliar as próprias casas.

Ver aquela mudança enchia Augusto de satisfação.

Aquela era apenas uma pequena aldeia... mas, aos poucos, estava se tornando um verdadeiro lar para todos.

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