As bestas viram o humano e todas voltaram sua intenção assassina para ele.
Todas pararam de se matar e viraram suas atenções para Augusto.
Os lobos foram os primeiros a avançar em sua direção.
Por serem Lobos da Neve, seu elemento era o vento, o que os tornava ainda mais rápidos que o normal.
Grrr!
Os lobos rugiram.
A espada nas mãos dele começou a brilhar.
As bestas o cercavam por todos os lados.
O primeiro lobo avançou.
Quando sua espada estava prestes a atingir as garras da besta, o lobo desviou no último instante e mordeu a mão que segurava a espada.
"Você é um pouco inteligente."
Antes que a besta pudesse comemorar, Augusto desferiu um poderoso soco com a outra mão.
Paf!
A cabeça do lobo explodiu.
Apenas a marca da mordida permaneceu em sua mão.
As outras bestas perceberam que aquele humano era forte. Antes, nenhuma delas pensava em cooperar, mas agora eliminar aquele inimigo era mais importante do que continuar a batalha entre si.
Os ursos correram, fazendo o chão tremer.
Queriam vingar a morte de seu companheiro.
Os alces permaneceram alguns metros atrás, aguardando a oportunidade perfeita para atacar.
Grrr!
Os enormes ursos ergueram suas patas gigantescas e golpearam Augusto.
Ele desviava de uma pata após a outra.
Sempre que escapava de um ataque, garras afiadas surgiam logo atrás, obrigando-o a mudar novamente de direção.
Era como dançar no meio de uma tempestade.
"Como isso é divertido."
Augusto riu.
Suas roupas superiores foram rasgadas pelas garras, revelando seu corpo definido.
Alguns lobos aproveitaram a abertura e tentaram morder seus pés.
No instante em que ele saltou para escapar, uma enorme pata acertou seu corpo.
Boom!
Augusto foi lançado contra uma árvore.
Crack!
O impacto despedaçou completamente o tronco.
No mesmo instante, dois alces investiram de direções opostas.
Boom!
O choque levantou uma enorme nuvem de neve, impedindo que as outras bestas enxergassem o que havia acontecido.
Por alguns segundos, tudo ficou em silêncio.
Então duas sombras apareceram.
Para surpresa das bestas, Augusto estava ileso.
Com uma mão, segurava o chifre de um alce.
Com a outra, fazia o mesmo com o segundo.
"Esses chifres... vou ficar com eles. São ótimos para fabricar remédios."
Ele apertou com força.
Trak!
Os dois chifres foram arrancados ao mesmo tempo.
Os alces soltaram gritos de dor.
Uma coisa era perder os chifres naturalmente.
Outra completamente diferente era tê-los arrancados à força.
O sangue escorreu por suas cabeças enquanto recuavam cambaleando.
Porém, Augusto não lhes deu tempo.
Sua espada brilhou.
Slash!
As patas dianteiras de um alce foram decepadas.
Slash!
O outro teve o corpo cortado profundamente na lateral.
Incapazes de continuar lutando, suas cabeças caíram no chão logo em seguida.
Vendo dois subordinados morrerem, o líder dos alces avançou.
Era muito maior que os demais.
Sua altura chegava a quase quatro metros.
Os enormes cascos afundavam a neve a cada passo.
Augusto sorriu.
Finalmente havia encontrado um adversário um pouco mais interessante.
A batalha entre o humano e as bestas continuou por quase uma hora.
Golpes de espada atravessavam pescoços.
Punhos quebravam crânios.
Garras rasgavam sua pele.
Mordidas deixavam novas marcas em seu corpo.
Mesmo coberto de sangue, Augusto continuava sorrindo.
Quanto mais a luta se prolongava, mais animado ele parecia ficar.
"Você é o último."
Augusto apontou sua espada para o único urso restante.
Seu corpo inteiro estava coberto de marcas de garras, mordidas e perfurações de chifres.
Grrr!
O urso rugiu e avançou.
"Peles de urso sempre são bem vendidas para os comerciantes. Não vou brincar muito com você."
Os dois se cruzaram.
Slash!
A cabeça do enorme urso caiu na neve.
Seu corpo deu mais dois passos antes de tombar pesadamente.
Boom!
"Então a brincadeira acabou."
Augusto limpou o sangue da espada e olhou para uma direção específica.
"Quando você pretende aparecer?"
"Você não apenas consegue me sentir... como também sabe a minha língua? Eu estava apenas fazendo meu trabalho como batedor. Por sorte encontrei um humano interessante."
A voz veio da floresta.
"Aprendi sua língua para ouvir seus gritos de misericórdia quando eu estiver exterminando o restante da sua raça desgraçada."
Augusto já sabia de qual raça aquela voz pertencia.
Wukongs.
Quando viu as bestas lutando entre si, acreditou que algum tesouro natural estivesse prestes a nascer.
Mas, ao perceber que estavam apenas se matando sem motivo aparente, encontrou a verdadeira explicação.
Os Wukongs.
Era a raça que impedia os humanos de avançarem para o leste.
Fisicamente, eram extremamente poderosos.
Porém, sua maior vantagem era outra.
Eles conseguiam influenciar as bestas.
Sempre que uma guerra começava, enormes ondas de bestas surgiam para lutar ao lado deles.
Era justamente por isso que derrotá-los era considerado quase impossível.
"Sua raça fede demais. É impossível não sentir vocês."
O motivo da morte de seu pai havia sido justamente uma onda de bestas que ele tentou conter.
Porém, Victor afirmava que havia sido ele quem o matou.
'Provavelmente meu pai lutou contra algum Wukong e saiu gravemente ferido. Victor deve ter percebido isso e aproveitado a oportunidade.'
Seu pai era um núcleo vermelho no auge.
Naquela época, Victor era apenas um núcleo vermelho de alto nível.
Se ambos tivessem lutado em igualdade de condições, seu pai teria vencido.
"Hoje vou matá-lo por estragar minha diversão. Eu estava decidindo qual raça usaria para destruir uma aldeia, mas você acabou com meus planos."
O Wukong finalmente saiu da floresta.
Era um macaco humanoide com cerca de dois metros de altura.
Possuía pelos marrons e uma armadura protegendo o tronco e as pernas.
Nas mãos, carregava uma longa lança.
"Hoje você morre, humano desprezível."
"Você nem vai entender como morreu."
Os dois desapareceram do lugar ao mesmo tempo.
Clang!
Espada e lança colidiram violentamente.
Boom!
A explosão da colisão abriu uma cratera de quase quatro metros.
Os dois continuaram trocando golpes.
As armas se chocavam dezenas de vezes por segundo.
Faíscas voavam em todas as direções.
Nenhum dos dois demonstrava qualquer intenção de recuar.
"Você é bem forte para um humano. Normalmente eu os mato nos primeiros golpes. Espero que aguente um pouco mais."
"Para um macaquinho, você não é tão fraco assim."
A troca de provocações era tão intensa quanto a batalha.
"Tome isso!"
Enquanto as armas permaneciam travadas, o Wukong girou o corpo e lançou um poderoso chute.
Augusto cruzou o braço para bloquear.
Crack!
Seu braço rachou imediatamente.
"Você é um núcleo laranja..."
Augusto estreitou os olhos ao sentir a força daquele golpe.
"Pequeno humano, só o fato de suportar um chute meu já demonstra seu talento. Hoje eu matarei um futuro gênio da raça humana!"
O Wukong gargalhou.
"Me matar? Você não conseguiria isso nem se viesse em maior número."
Mesmo depois de enfrentar uma onda inteira de bestas, a confiança de Augusto permanecia inabalável.
"Mas quem disse que estou sozinho?"
O macaco sorriu.
"Pessoal... apareçam."
Assim que terminou de falar, três novas presenças surgiram entre as árvores.
Os outros Wukongs finalmente revelaram suas posições.
