Três outros Wukongs apareceram, saindo do meio da floresta.
“Eu nem senti a presença deles...” disse Augusto, impressionado.
“Você nunca sentiria se eu não quisesse, criança humana. Nós nascemos na floresta. Apenas os elfos conseguem se esconder melhor do que a minha raça.” O Wukong respondeu enquanto lançava uma sequência de ataques.
“Hum... você realmente acha que eles serão capazes de mudar o rumo desta batalha? Estão apenas no núcleo vermelho. Nem preciso dividir minha atenção com eles.”
“Veremos. Alyona, use sua magia nele. Vocês dois, protejam a xamã. Faz tempo que não tenho um escravo humano.” ordenou o líder dos macacos.
Enquanto desviava dos ataques ferozes do chefe, Augusto percebeu que os outros três permaneceram a uma distância segura.
Sua percepção captou uma grande quantidade de energia se reunindo ao redor da xamã.
Ela estava prestes a lançar uma magia.
Uma onda invisível de energia avançou em sua direção.
Para qualquer outra pessoa, aquele ataque só seria percebido quando já estivesse prestes a atingir seu alvo.
Mas Augusto a enxergou muito antes.
Mesmo assim, sua expressão permaneceu inalterada enquanto continuava trocando golpes contra o líder.
Um Wukong de núcleo laranja estava em outro nível.
Cada colisão fazia seus braços tremerem violentamente.
Seus ossos já estavam próximos do limite.
'Quando a magia estiver perto de me atingir, ele criará uma abertura.'
Como esperado, o chefe dos macacos começou a pressioná-lo ainda mais.
Foi naquele instante que a magia finalmente o alcançou.
Seu corpo inteiro ficou imóvel.
“Ótimo. Magias mentais são a fraqueza dos humanos. Esse idiota nem sequer possui um item para resistir a elas.” comentou um dos Wukongs que protegia a xamã.
“Pegue-o, chefe! Nossa missão será ainda mais perfeita se levarmos um gênio da raça humana.” disse o outro.
O líder sorriu.
Convencido de que tudo havia terminado, estendeu a mão para agarrar Augusto.
Pff!
Um brilho prateado atravessou o ar.
No último instante, Augusto recuperou completamente os movimentos.
Sua espada passou pelo braço do Wukong.
A lâmina, envolta por mais de vinte centímetros de energia, atravessou carne e ossos sem encontrar resistência.
O braço do macaco caiu no chão.
“Você perdeu o braço primeiro, macaquinho. Da próxima vez será a cabeça.”
“AAARGH!”
O rugido ecoou por toda a floresta.
Os outros três Wukongs arregalaram os olhos.
A magia havia falhado?
“Seu maldito!”
Uma explosão de energia tomou conta do corpo do líder.
Os pelos marrons começaram a adquirir um tom vermelho intenso.
Sua aura cresceu violentamente, fazendo folhas e pedras serem lançadas para todos os lados.
“Eu, o décimo nono filho da Casa Maier, juro que vou te matar!”
“Não me importo com quem você é.”
Os dois desapareceram ao mesmo tempo.
Bam!
Os punhos e a espada colidiram.
A diferença de força ficou evidente.
Augusto foi lançado vários metros para trás, quebrando pequenas árvores até conseguir recuperar o equilíbrio.
Antes mesmo que pudesse respirar...
Whoosh!
O Wukong apareceu diante dele.
Seu punho atingiu o peito de Augusto.
Crack!
Duas costelas se partiram.
O segundo golpe acertou seu ombro.
Crack!
O terceiro atingiu seu abdômen, lançando-o novamente contra o chão.
“Seu maldito!”
O líder rugia enquanto atacava sem parar.
Cada golpe quebrava mais um osso do corpo de Augusto.
Mesmo assim, ele continuava segurando a espada.
O sangue escorria pelo canto de sua boca.
Seu braço tremia.
Sua visão começava a ficar turva.
Mesmo diante daquela diferença esmagadora de força, sua mente permanecia completamente calma.
Ele esperava apenas um erro.
“Morra!”
O Wukong reuniu toda sua energia em um único soco.
O ar ao redor chegou a vibrar.
No instante em que o golpe foi desferido, Augusto deu apenas um pequeno passo para o lado.
Era um movimento mínimo.
Quase imperceptível.
Mas foi suficiente.
“Desgraçado... tome isto!”
Toda a energia restante de Augusto foi despejada na espada.
A intenção da espada explodiu.
A lâmina pareceu cortar até o próprio vento.
Slash!
O peito do Wukong foi atravessado por um corte profundo.
Seu corpo congelou.
Toda a fúria desapareceu.
Ele olhou lentamente para o próprio peito, incapaz de acreditar.
O sangue começou a escorrer sem parar.
Suas pernas perderam a força.
Então caiu de joelhos diante de Augusto.
“Chefe!”
Os outros três Wukongs ficaram completamente desesperados.
“Merda! Ele perdeu muito sangue, precisamos resgatar o chefe!” gritou um dos subordinados.
“Aquele humano está acabado. Vamos matá-lo de uma vez!” disse o outro, avançando com a espada em mãos.
Augusto estava em um estado miserável.
Pelo menos metade dos ossos de seu corpo estava quebrada.
Respirar já era doloroso, e até segurar a espada exigia toda a força que lhe restava.
Mesmo assim, seus olhos permaneceram frios.
Se eles ousassem se aproximar...
Morreriam.
Os três Wukongs sentiram a intenção da espada que ainda envolvia a lâmina de Augusto.
Seus instintos gritavam para que não dessem mais um passo.
Aquele humano ainda era capaz de matar.
“Recuem.”
Alyona respirou fundo antes de falar.
“Vamos resgatar o jovem mestre. Teremos sorte se o pai dele não nos matar quando descobrir que falhamos.”
Os outros dois hesitaram por alguns instantes.
Por fim, recuaram.
Os três correram até o líder ferido e o levantaram com cuidado.
Augusto observava tudo em silêncio.
Ele sabia que não tinha forças para impedi-los.
Isso era ruim.
Se resolvessem voltar em busca de vingança, encontrariam a aldeia e a exterminariam sem grande dificuldade.
Por outro lado, se o décimo nono filho da Casa Maier morresse naquela floresta, uma investigação inevitavelmente começaria.
Mais cedo ou mais tarde, alguém descobriria o que havia acontecido naquela região.
Enquanto avaliava qual seria a melhor situação, os três Wukongs já se preparavam para partir.
Antes de desaparecer entre as árvores, Alyona voltou o rosto para Augusto.
“No futuro, o jovem mestre o encontrará no campo de batalha. Prepare-se... aquele será o seu último dia.”
Logo depois, os quatro desapareceram na escuridão da floresta.
Augusto soltou um longo suspiro.
'Então eles pretendem esperar o campo de batalha... Isso significa que uma guerra começará no leste.'
Aquela notícia era muito melhor do que imaginava.
Pelo menos, eles não perderiam tempo procurando por ele ou pela aldeia.
“Um campo de batalha... e uma promessa de morte.”
Augusto olhou para a escuridão à sua frente.
“Se esse dia realmente chegar... eu estarei muito mais forte do que aquele macaco.”
O futuro era imprevisível.
Ninguém podia controlá-lo ou conhecê-lo.
Por isso, toda decisão tomada no presente precisava ser feita com cautela.
Ele baixou o olhar para o próprio corpo.
Estava coberto de sangue.
Havia um osso quebrado em praticamente cada parte do corpo.
'Vou ter que usar ela.'
Uma pequena poção apareceu em sua mão.
Era uma poção de cura.
Embora custasse entre cinco e dez moedas de ouro, era extremamente difícil encontrar uma à venda.
A maior parte era reservada para guerras ou situações de emergência.
Afinal, aquele pequeno frasco podia significar a diferença entre a vida e a morte.
Graças a Bruno, ele havia conseguido uma.
'Quando eu visitar a cidade novamente... vou pedir que ele faça mais algumas.'
Com a quantidade de corpos de trolls que havia levado para o alquimista, Bruno provavelmente já tinha produzido dezenas delas.
Augusto retirou a tampa e bebeu todo o conteúdo.
Uma sensação quente espalhou-se por seu corpo.
Os ossos não se regeneraram completamente, mas a dor diminuiu o suficiente para que ele conseguisse caminhar.
“Já basta... preciso voltar.”
Ele respirou fundo.
“Espero não encontrar nenhuma besta pelo caminho.”
A caminhada de volta foi lenta.
O cheiro de sangue atraiu diversas bestas durante o percurso.
Uma após a outra surgiu entre as árvores.
Entretanto, ao sentirem a intensa intenção da espada que ainda permanecia ao redor de Augusto, nenhuma teve coragem de atacá-lo.
Todas recuaram.
Quando o primeiro raio de sol iluminou a floresta, dois guerreiros faziam a patrulha ao redor da aldeia.
“Você ouviu isso?” perguntou um deles.
“O quê?”
“Parecia alguém gritando... como se estivesse sentindo muita dor.”
Antes que pudesse terminar a frase...
“Aaaah!”
Um grito ecoou entre as árvores.
“À sua esquerda!” gritou o outro guerreiro.
Os dois se viraram imediatamente.
Uma figura coberta de sangue, lama e folhas caminhava cambaleando em direção à aldeia.
Cada passo parecia exigir um esforço enorme.
“Não se preocupem... sou eu... Augusto.”
Sua voz era tão fraca que quase foi levada pelo vento.
“Líder da aldeia!”
Os dois guerreiros correram imediatamente para ampará-lo.
“Vou ficar bem...” disse Augusto com dificuldade.
“Apenas... me levem de volta ao acampamento.”
Assim que terminou de falar, perdeu as forças restantes.
Sua visão escureceu.
E ele caiu em um sono profundo.
