Augusto chegou em casa.
Pegando um livro com a capa escrita "Registros", passou folha por folha até chegar à página desejada.
Núcleos, um novo órgão que nasce voluntariamente nos humanos...
Os humanos não possuíam núcleos ao nascer. Diferentemente de todas as criaturas já registradas, eles precisavam criar o próprio núcleo.
Reunir os quatro elementos... É como eu pensei.
Ele só havia sentido a energia dos quatro elementos quando formou o próprio núcleo. Sempre que ajudava outras pessoas a criarem os seus, nunca conseguia sentir a energia elemental.
Aquilo era estranho.
Mesmo antes de possuir um núcleo, ele já conseguia sentir a energia ao redor. Porém, apenas durante o processo de formação do núcleo percebeu a existência da energia elemental.
Estou deixando alguma coisa escapar., pensou.
Leu aquela página quatro vezes. Então se lembrou da explicação que dera mais cedo.
Os guerreiros têm corpos mais fortes por reunirem os quatro elementos.
É isso.
A energia elemental fortalece o núcleo, que fortalece o corpo. Porém...
Meu corpo é mais forte que o de todos os outros.
Havia alguma coisa errada nessa análise.
Passou mais algumas folhas até chegar a outra página.
Treinamentos...
Ali estavam registrados todos os seus métodos de treinamento.
Quando terminou de ler a página inteira, uma ideia surgiu em sua mente.
Então funciona assim.
Seu olhar se voltou para o umbigo, onde seu núcleo estava localizado.
Ele brilhava como uma estrela, porém sua estrutura era fina, parecendo uma esfera de vidro.
A teoria que formulou era simples.
Por causa dos treinamentos, sua energia havia se tornado muito mais forte que o normal. Como consequência, seu corpo também ficou muito mais resistente.
Entretanto, a estrutura do núcleo permanecia frágil.
O potencial escondido ali era enorme.
Mas outra pergunta surgiu.
Por que não consigo sentir a energia elemental?
Quando alguém tentava sentir a energia ao redor, precisava se concentrar completamente.
Augusto, porém, a percebia naturalmente, como se estivesse respirando.
Quando concentrava toda a atenção em sentir a energia, conseguia enxergar pequenas bolhas luminosas. Isso lhe permitia perceber coisas que normalmente passariam despercebidas para qualquer outra pessoa.
Vamos fazer um teste.
Sentando-se no chão, começou a sentir a energia ao redor.
Pequenas bolhas formavam toda a energia do ambiente. Elas se moviam constantemente, dificultando uma análise mais precisa.
Quatro minutos depois, seu corpo já estava completamente encharcado de suor.
Manter a mente focada em um único ponto era extremamente difícil.
Sua cabeça doía.
As veias saltavam em sua testa.
Naquele instante, algo mudou.
Em uma pequena bolha de energia, apareceu uma cor.
Marrom.
Isso é energia da terra...
No segundo seguinte, ela desapareceu.
"Merdaaaaa!" Gritou para si mesmo.
Cansado e com uma forte dor de cabeça, decidiu continuar o teste mais tarde, quando estivesse em melhores condições.
Algumas horas se passaram.
Augusto passava uma pomada no braço quebrado.
Embora tivesse comprado uma poção de cura de nível médio na cidade, preferia deixar que a recuperação natural fizesse seu trabalho.
Seu braço não era um problema.
Em, no máximo, dez dias estaria completamente recuperado.
Vamos tentar mais uma vez.
Repetindo o mesmo processo, após quatro minutos voltou a enxergar uma bolha colorida.
Desta vez, porém, continuou observando.
Mais e mais cores começaram a surgir.
Depois de dois minutos analisando aquelas bolhas coloridas, sua mente chegou ao limite.
Perdeu a concentração, e toda a imagem desapareceu.
Ótimo.
Sua cabeça estava vermelha como um morango.
Consegui ver cerca de cem bolhas.
Vinte eram brancas, representando a energia pura.
Sete eram vermelhas, representando o fogo.
Treze eram azuis, representando a água.
Dezoito eram verdes, representando o vento.
Quarenta e duas eram marrons, representando a terra.
Existe mais energia da terra ou é este ambiente que provoca essa diferença?
E por que não consigo enxergar essas energias normalmente?
Suas perguntas apenas aumentavam.
Resolveu fazer outra tentativa.
Dessa vez, porém, seu objetivo era observar o próprio núcleo.
Após três minutos de concentração, conseguiu enxergá-lo com clareza.
A casca externa possuía um vermelho intenso, mostrando que era um núcleo vermelho no auge.
Dentro da esfera havia uma energia pura e extremamente densa.
Depois de mais dois minutos, percebeu algo inesperado.
A parte interna da casca era composta por aproximadamente quarenta e cinco por cento de energia marrom, trinta por cento branca, doze por cento verde, oito por cento azul e cinco por cento vermelha.
Isso é... energia elemental misturada com energia pura...
Seu espanto fez sua concentração vacilar.
As descobertas eram chocantes.
Agora entendo...
Rapidamente, começou a fazer anotações em seu livro de registros.
Somente depois de algum tempo conseguiu organizar os próprios pensamentos.
A casca externa mostrava o grau de refino do núcleo.
Já a parte interna revelava sua verdadeira estrutura.
O processo de refino era realizado utilizando a energia ao redor da parte externa do núcleo, como se estivesse limpando sua superfície.
Mas... e a parte interna?
Ela também precisava ser fortalecida.
Ao absorver energia, o corpo inconscientemente trazia energias elementais para dentro do núcleo.
Com o tempo, essas energias reforçariam sua estrutura.
Claro, aquilo ainda era apenas uma hipótese.
Ao observar o interior do núcleo, também chegou a outra conclusão.
Preciso de equilíbrio.
O núcleo era formado por energia pura e pelos quatro elementos.
O seu, porém, estava completamente desequilibrado.
Quarenta e cinco por cento.
Trinta por cento.
Doze por cento.
Oito por cento.
Cinco por cento.
O ideal seria vinte por cento de cada elemento.
Foi então que outra dúvida surgiu.
Se a estrutura interna estiver desequilibrada... a casca externa também será afetada?
E qual seria a consequência?
Talvez fosse justamente a dificuldade de continuar refinando o núcleo.
Agora preciso descobrir uma forma de corrigir isso.
Talvez eu consiga modificar meu próprio núcleo... mas o dos outros provavelmente não.
Aquilo seria um problema.
Mesmo assim, encontraria uma solução.
Vou chamar o velho Harry e Darius.
Embora não pudesse alterar manualmente os núcleos deles, tinha um palpite sobre como ajudá-los.
Ao sair de casa, pediu a alguns moradores que chamassem os dois assim que retornassem das missões.
Enquanto esperava, arrumou a casa e organizou alguns planos.
Toc. Toc.
A dupla de idosos estava do lado de fora, sem entender o motivo do chamado.
"Entrem."
Augusto já os aguardava havia algumas horas.
"Boa noite, jovem Augusto. Qual o motivo do chamado?" Harry nunca o chamava de líder. Como o homem mais velho da aldeia, ninguém se importava com isso.
"Boa noite, jovem líder." Darius demonstrava um pouco mais de respeito.
"Tenho uma notícia... porém ainda não tenho certeza de que ela esteja completamente correta."
Observando os dois, continuou:
"Descobri uma possível maneira de alcançar o núcleo laranja, mas ainda não tenho confiança suficiente no método."
A dupla ficou completamente sem reação.
No dia anterior, ele havia dito que não sabia como alcançar aquele nível.
E agora afirmava ter encontrado uma resposta?
"Por favor, explique." Harry levou uma das mãos ao peito.
"Antes, deixem-me fazer uma coisa."
Augusto concentrou sua percepção nos núcleos dos dois.
Eles não entenderam o motivo, mas permaneceram em silêncio.
Mais de dez minutos depois, Augusto abriu os olhos.
A situação deles era muito pior do que imaginava.
Setenta e oito por cento da estrutura interna do núcleo de Harry era composta por energia da terra.
No caso de Darius, sessenta e quatro por cento.
"Vocês não devem mais refinar seus núcleos dentro da aldeia, como fazem atualmente."
Os dois continuaram em silêncio, esperando que ele terminasse.
"Quando saírem em missão, aproveitem ambientes diferentes. Se estiver ventando muito, chovendo ou em um lugar extremamente quente, refinem seus núcleos nesses locais."
Ele havia chegado à conclusão de que o ambiente influenciava diretamente a quantidade de energia elemental disponível.
"Hmm... tudo bem." Harry respondeu.
"Poderia explicar o motivo?" Darius perguntou, curioso.
"Não posso."
Ele ainda não revelaria como havia chegado àquelas conclusões.
Se seguiriam suas instruções ou não, caberia apenas a eles decidir.
Sem mais assuntos para discutir, a dupla foi embora.
Harry permaneceu calado durante todo o caminho.
Sua mente estava completamente distante dali.
