Cherreads

Chapter 19 - histórias

“Bom negócio.” Bruno sorriu enquanto apertava sua mão.

Puff.

Duas mil moedas de ouro apareceram ao redor.

“Tudo seu.”

“Obrigado. Espero fazer mais negócios no futuro.”

“Igualmente. Agora vá embora, tenho muito trabalho para fazer.” Bruno voltou sua atenção para uma mesa cheia de vidros vazios e outras repletas de líquidos estranhos.

Augusto nunca perguntava nada sobre alquimia para ele. Os alquimistas guardavam suas descobertas a sete chaves e, quando decidiam revelar algo, o conhecimento sempre ia primeiro para suas famílias.

Ao deixar a sala, a energia da matriz que o cercava se dissipou.

O gordo o encarava, porém Augusto o ignorou e foi embora. Seus negócios ali estavam concluídos.

Enquanto caminhava pelas ruas, visitou algumas lojas. No fim, encontrou uma especializada em armaduras personalizadas.

Entregou os corpos dos homens-lagartos e encomendou algumas armaduras. Como forneceu os materiais e a carne de uma besta poderosa, recebeu um desconto de 60%.

‘Ainda tenho mil e oitocentas moedas de ouro. Devo guardar uma parte para a aldeia... talvez compre uma espada melhor para mim.’ pensou enquanto continuava visitando outras lojas.

Como não tinha nada importante para fazer, permaneceu no mercado até o fim da tarde. Os vendedores adoravam fofoca e, graças a isso, ouviu muitas informações sobre os acontecimentos mais recentes.

“Vocês ouviram? A guerra no Norte tem movimentado todas as cidades da região. Dizem até que a região central está pensando em se envolver.” comentou um comerciante.

“Também ouvi algo sobre isso. Os homens-lagartos enviaram mais de dois milhões de soldados. Parece que essa guerra não será tão simples.” respondeu outro.

O território humano era cercado por diversas raças. Ao norte viviam os homens-lagartos; ao sul, os orcs; a oeste havia um vasto mar, lar de inúmeras tribos marinhas.

Ao leste ficava uma raça conhecida como Wukong, macacos extremamente poderosos. Era a fronteira que menos havia avançado nos últimos trezentos anos.

“Algumas cidades da região nordeste também começaram a se mover. Acho que algum recurso raro apareceu próximo da fronteira. Só isso explicaria uma guerra desse tamanho.” comentou um terceiro comerciante.

A guerra seria brutal. Muitos morreriam nela; alguns conquistariam fama e outros, riquezas...

Augusto também ouviu notícias sobre gênios nascendo em famílias renomadas, casamentos e alianças políticas da região.

Próximo da Cidade de Ouro existiam outras três cidades pertencentes à família Donovan, por isso notícias delas chegavam o tempo todo.

Quando percebeu que já não havia mais nada importante para ouvir, partiu em direção à favela.

A maioria das casas da favela não possuía teto, paredes ou portas.

A população era composta por fugitivos, soldados de baixo escalão e camponeses que haviam viajado de longe em busca de oportunidades, mas que, ao chegarem à cidade, não conseguiram encontrar trabalho.

A Irmandade distribuía duas refeições por dia, oferecia professores para crianças e jovens, além de treinamento de defesa.

A maioria dos adultos gostava de passar o tempo bebendo ou apostando o pouco dinheiro que ganhava. Por causa disso, muitos se tornavam agressivos e descontavam a própria frustração nas crianças.

Augusto não era uma pessoa bondosa, mas não permitiria que os filhos sofressem por causa da incompetência dos pais.

Tudo o que a Irmandade fazia tinha um objetivo: no futuro, tornar-se uma excelente fonte de riqueza. Mercenários competentes recebiam missões que rendiam dezenas de moedas de ouro; algumas chegavam a pagar cem moedas em um único trabalho.

Quando se aproximou do salão, encontrou vinte e duas pessoas esperando por ele. Na frente estavam David, Wallace e Hugo. Todos os demais eram membros da Irmandade.

Quando veio pela primeira vez e realizou o experimento, reuniu todos aqueles jovens. Agora eles haviam crescido e já não precisavam mais da proteção dele.

“Chefe!”

“Grande irmão!”

“Fundador!”

Cada um o chamava de uma forma diferente. Alguns preferiam "chefe", outros "grande irmão" e outros "fundador". Como nunca teve irmãos, considerava todos eles seus irmãos mais novos, embora alguns fossem mais velhos que ele.

“Como vocês estão? Espero que todos estejam bem.” Augusto perguntou com um sorriso.

“Claro que estamos bem!” respondeu a multidão.

O grupo entrou no salão para comemorar o retorno do fundador.

As mesas estavam repletas de comidas deliciosas: pães, carnes, bolos, biscoitos, vinho e muito mais.

“Quero ouvir histórias interessantes de todos vocês. Contem como foi os últimos mêses.” disse Augusto enquanto pegava um pedaço de pão.

“Eu começo!” um dos jovens respondeu antes de todos.

“Há três meses fomos contratados para uma missão de escolta até outra cidade. No meio do caminho paramos para descansar, e o irmão Wallace foi até um lago treinar. Quando chegou lá, acabou encontrando algumas garotas tomando banho. Foi chamado de tarado durante o restante da viagem.”

Assim que terminou de falar, uma bola de água atingiu sua cabeça.

“Idiota! Como eu iria imaginar que aquelas garotas teriam coragem de tomar banho no meio da floresta?!” Wallace gritou, completamente vermelho.

“Também teve aquela vez em que o irmão David caiu em uma montanha de fezes de uma besta gigante.” comentou outro membro.

David ficou vermelho de vergonha. O chefe não podia descobrir que o guerreiro mais forte da Irmandade havia passado por uma situação tão humilhante.

“Ele realmente ficou fedendo por vários dias.” acrescentou outro.

“Ótimas histórias.” Augusto riu enquanto comia um pedaço de bolo.

“O irmão Hugo também tem uma história interessante...” disse alguém, mas não teve coragem de continuar.

Ao perceber que ninguém queria completar a história, Augusto voltou o olhar para Hugo.

“O que aconteceu?”

“Esses idiotas merecem uma redução no salário. Não passam de rumores dizendo que algumas garotas estão me enviando cartas de amor.” respondeu Hugo, sem dar muita importância.

“Oh... então temos um galã entre nós.”

Mais histórias como aquelas foram contadas sobre outros membros da Irmandade. No fim da noite, alguns já estavam bêbados e acabaram dormindo ali mesmo.

“Como é bom estar aqui. Vocês sempre me proporcionam boas risadas.”

Apenas Augusto, David, Wallace e Hugo ainda permaneciam acordados.

“Seria bom se o chefe morasse aqui. Com seu talento, poderíamos nos tornar mercenários de rank Prata.” comentou David.

“Já pensei nisso várias vezes, mas agora é quase impossível...” respondeu Augusto.

“Por quê?” perguntou Hugo. Eles nunca souberam de onde o fundador realmente veio.

“Porque me tornei alguém importante antes da hora. Agora terei cada vez menos tempo para vir brincar com vocês.”

A "brincadeira" à qual ele se referia consistia em caçar bestas poderosas, acabar com covis de bandidos e espancá-los sob o pretexto de que aquilo fazia parte do treinamento.

“Me digam uma coisa. Quantas moedas de ouro vocês têm?”

“Recebemos aproximadamente sessenta a setenta moedas por mês. Metade disso vai para comprar alimentos e pagar os salários.” respondeu Wallace.

“Hum... Estou pensando em comprar algumas pedras espirituais para realizar certos experimentos.”

“Não precisa.” responderam os três ao mesmo tempo.

Três pedras espirituais brilhantes apareceram nas mãos de cada um deles.

“Is-isso...” Pela primeira vez em muito tempo, Augusto ficou realmente surpreso.

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