Cherreads

Chapter 18 - Fundador

Uma dupla de irmãos corria freneticamente. Eles não estavam nervosos nem fugindo de algo, apenas queriam chegar o mais rápido possível a um determinado lugar.

"Irmão, me carregue." A menina falou fazendo beicinho.

"Você já tem quatro anos, deveria aprender a andar sozinha." O irmão ignorou a carinha fofa da irmã.

"Mas eu tô cansada, me carregue." Ela insistiu.

"Tá bom."

Ele a colocou nas costas e continuou correndo.

A menina esfregou o rosto nas costas do irmão, abraçando-o com mais força.

As roupas dos dois estavam velhas e cheias de remendos, mas, mesmo assim, ainda conseguiam brincar e sorrir.

Aquele era o bairro mais pobre da Cidade do Ouro, um lugar onde a escória da sociedade crescia. Durante muitos anos, diversas crianças morreram de fome ali, porém tudo isso começou a mudar quatro anos atrás.

Um grupo de mercenários chamado Irmandade nasceu dentro da favela. Eles começaram a realizar missões distribuídas pelo centro de logística da cidade.

Com o dinheiro recebido, compravam comida para todas as crianças. Com o passar dos anos, também passaram a distribuir alimentos para jovens e adultos.

A fama da Irmandade cresceu rapidamente. Embora ainda fosse um grupo mercenário de rank bronze, praticamente todos na cidade conheciam seus feitos.

Os grupos mercenários eram divididos em bronze, prata e ouro. As promoções dependiam principalmente de dois fatores: fama e quantidade de membros em determinados níveis de força.

A Irmandade já possuía fama suficiente para subir de categoria, porém seu membro mais forte ainda era apenas um guerreiro no auge do núcleo vermelho.

Diversos grupos tentaram recrutar seus integrantes, mas todos permaneciam leais ao fundador.

Algumas pessoas também tentaram entrar em contato com esse misterioso fundador. A única resposta que recebiam era sempre a mesma.

"O fundador está longe da cidade."

...

Dentro de um salão, três homens conversavam calmamente.

"Irmão, fazem quatro meses que o fundador não aparece. Será que aconteceu alguma coisa com ele?" O homem à esquerda perguntou.

"Você já viu do que ele é capaz. Em vez de se preocupar com ele, preocupe-se em corresponder às expectativas que ele depositou em nós."

O homem sentado ao centro mantinha a postura calma de sempre.

O salão ficou em silêncio por um momento. Ninguém sabia o que dizer.

"Estão preocupados comigo?"

Uma voz ecoou pelo salão.

Na entrada, uma figura de aproximadamente um metro e oitenta apareceu completamente coberta por um manto.

Claro, aquele era Augusto.

O fundador da Irmandade.

"O chefe voltou!"

Os três sorriram e correram para recebê-lo.

Quatro anos atrás, Augusto chegou sozinho à Cidade do Ouro. Na época, possuía apenas um núcleo vermelho-escuro.

Foi ali que realizou um experimento na favela e descobriu que, após sete dias reunindo energia, as chances de falha na criação de um núcleo caíam para zero.

Depois reuniu um grupo de jovens e crianças e ensinou cada um deles pessoalmente.

Agora, quatro anos depois, todos haviam crescido e alcançado pelo menos o alto nível do núcleo vermelho-escuro.

"David, Wallace e Hugo, como estão as coisas?"

"Tudo indo bem. Alcancei o auge do núcleo vermelho e mantive todos seguros." David bateu no peito. Seus mais de dois metros de altura faziam qualquer pessoa parecer pequena ao seu lado.

"Todos continuam treinando sem falhas." Wallace respondeu calmamente. Com apenas um metro e sessenta, parecia uma criança perto de David.

"Tudo na linha, chefe. Embora o irmão David tenha feito uma bagunça recentemente." Hugo tinha um metro e oitenta e quatro de altura e cabelos escuros, parecidos com os de Wallace.

"Que bagunça?"

"Ele desafiou um guerreiro de núcleo laranja. Depois de perder, teve que pagar dez moedas de ouro."

"Hmpf... Eu queria saber como era lutar contra alguém daquele nível. Também queria descobrir como alcançar esse estágio." David respondeu cruzando os braços.

"Tá mentindo."

"Com certeza."

Hugo e Wallace falaram quase ao mesmo tempo.

"Hahaha."

Augusto soltou uma risada.

David era um cabeça-dura, porém seu talento como guerreiro estava entre os maiores que Augusto já havia encontrado. Além disso, possuía um corpo extremamente poderoso.

Wallace era calmo e metódico. Um mago de alto nível do núcleo vermelho.

Já Hugo era a mente do grupo. Era ele quem elaborava as estratégias, os planos de crescimento da Irmandade e, principalmente, quem mantinha David na linha.

"Vou passar os próximos vinte dias por aqui. Então teremos muito o que conversar. Quando eu voltar do mercado, quero todos reunidos para um banquete, como nos velhos tempos."

"Certo, chefe." Os três responderam em uníssono.

Ao sair do salão, Augusto viu uma dupla de irmãos em uma enorme fila. Mais de cem pessoas aguardavam para receber comida.

Ele sorriu discretamente naquela direção e partiu para o mercado da cidade.

Na Cidade do Ouro existia uma rua inteira dedicada ao comércio.

Passando por diversas lojas, Augusto encontrou uma que estava menos movimentada.

Loja do Alquimista Bruno.

Ao entrar, diversos tipos de poções podiam ser vistos nas prateleiras. Um homem gordo estava atrás do balcão.

"Ah, é você."

"Já mandei você ir pra merda hoje, gordo imundo?" Augusto realmente não gostava daquele homem.

"Cadê o Bruno? Tenho umas mercadorias pra ele."

"Não sei por que ele perde tempo com um fedelho como você." O gordo resmungou enquanto apontava para uma porta de ferro reforçada. Até a parede ao redor era feita do mesmo material.

Alquimistas e suas fortunas...

Ao atravessar a porta, uma onda de energia percorreu seu corpo. Era o efeito de uma matriz. Caso o controlador desejasse, poderia causar grandes danos a qualquer invasor.

"Augusto! Quanto tempo. O que trouxe pra mim dessa vez?"

Um homem na casa dos trinta anos falou enquanto preparava diversas poções ao mesmo tempo.

"É bom te ver também, Bruno. Espero que seus bolsos estejam cheios. Acabei encontrando um grupo de trolls."

"Trolls?" Os olhos de Bruno brilharam.

"Conseguiu matar algum? Faz tempo que sangue de troll não aparece na cidade. Acho que consigo vender cada poção por vinte moedas de ouro."

Um corpo de troll em péssimo estado rendia cerca de dez poções. Em ótimo estado, mais de trinta.

"Quem você acha que eu sou? Um soldado qualquer que nem sabe usar uma espada?"

Thud!!!

Onze corpos de trolls apareceram no chão.

"I-isso..." Bruno arregalou os olhos.

"Quantas pessoas morreram para conseguir matar tantos trolls e ainda preservar os corpos nesse estado?"

"Você não queria saber, Enfim, qual o preço por cada um?" Augusto não tinha intenção de revelar que havia matado todos praticamente sozinho.

"Você deu sorte. Por causa da guerra no norte, o preço de vários materiais subiu bastante. Pelo estado desses corpos, consigo produzir pelo menos quarenta poções por corpo."

Bruno fez alguns cálculos rápidos.

"No mínimo vou faturar oito mil e oitocentas moedas de ouro. Descontando ingredientes, mão de obra e meu lucro... que tal duas mil moedas de ouro?"

Ele estendeu a mão.

Um alquimista realmente vivia em outro nível de riqueza.

"Fechado. Duas mil moedas de ouro. É sempre bom fazer negócios com você."

Augusto apertou a mão de Bruno.

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