Augusto acordou depois de uma longa noite de sono.
Preparou uma refeição, limpou um pouco da bagunça da casa e, depois de terminar seus afazeres, foi até o porão.
A densidade da energia estava pelo menos dez vezes maior do que quando entrou naquele ninho, na caverna, pela primeira vez.
Após fazer uma checagem, não encontrou nenhum problema.
Hoje tenho que ensinar alguns pirralhos a formar um núcleo..., pensou Augusto.
Com o anúncio feito por ele e pelos regentes, todas as crianças e jovens que já tinham idade — ou já haviam passado da idade — para se tornarem guerreiros foram convocados para o centro comunitário.
No caminho, cumprimentou alguns moradores e guerreiros que se preparavam para colher plantas.
Com a notícia de que guerreiros vermelhos liderariam as missões a partir de agora, um grande grupo de moradores havia se reunido.
Aproximadamente trinta trabalhadores já estavam no local. Ele soube que Harry seria o líder de uma das equipes, enquanto Darius montava outro grupo ao lado de Karol.
Karol era casada com o filho mais velho de Darius, então aquela aproximação fazia sentido.
Harry era conhecido como o guerreiro mais forte da aldeia. Embora a idade avançada limitasse um pouco seus movimentos, continuava sendo admirado por todos.
Se repetirem isso todos os dias, a quantidade de recursos coletados será maior do que a do mês passado., pensou ele.
Sua decisão de pagar individualmente por cada missão concluída parecia estar dando certo.
Antes, cada missão tinha um valor fixo que era dividido entre todos os participantes. Agora, os ganhos eram individuais, embora ainda fosse obrigatório trabalhar em equipe.
Algumas regras ainda precisavam ser criadas para impedir abusos.
Por exemplo, guerreiros vermelhos poderiam completar missões sozinhos, mas isso impediria que os demais guerreiros também participassem delas.
A ideia por trás desse projeto era simples: fazê-los entender que, se quisessem dinheiro, precisariam trabalhar. Ao mesmo tempo, também era necessário aprender a cooperar.
Ninguém faria uma missão sozinho. E, se você não trabalhasse pelo próprio futuro, ninguém faria isso por você.
Assim, ele criaria um ambiente que valorizava tanto o esforço individual quanto o coletivo.
Ao chegar ao centro comunitário, encontrou dezenas de crianças e jovens ansiosos.
"Bom dia, líder da aldeia!" Elas gritaram em uníssono.
"Bom dia." Ele respondeu com um sorriso.
Quarenta e três crianças e jovens estavam presentes. O mais novo era um garoto de onze anos, com catarro escorrendo pelo nariz. Em breve faria doze.
A mais velha era uma jovem de dezessete anos.
Depois de reunir todos, Augusto entrou no centro comunitário. No grande salão, não havia ninguém além da jovem do dia anterior.
"Bom dia."
"Bom dia, jovem líder."
"Vou usar este local para dar uma palestra. Espero não atrapalhar seu trabalho."
"Jamais." Ela respondeu categoricamente.
Augusto voltou sua atenção para o grupo.
"Todos vocês me escutem com atenção. Normalmente nossa aldeia forma apenas guerreiros. Porém, a partir de hoje, também abriremos o caminho para magos."
As crianças trocaram olhares.
Magos?
Na aldeia era tradição formar apenas guerreiros. Somente durante um recrutamento alguém podia tentar despertar um núcleo, justamente para manter o controle.
"Sim. Aqueles que desejarem se tornar magos também terão essa oportunidade."
A confusão no rosto das crianças permaneceu.
"Qual é a diferença entre um mago e um guerreiro?" Perguntou o garoto com catarro.
"A diferença está na formação do núcleo. Enquanto forma um núcleo, além da energia comum, você precisa perceber os quatro elementos da natureza e incorporá-los. Só então o núcleo será concluído."
Naquele instante, Augusto teve uma grande descoberta.
Ele nunca entendera por que seu núcleo parecia menos resistente do que o de guerreiros mais antigos.
Também percebeu isso quando analisou Karol no dia anterior. Ela era a mais nova no núcleo vermelho, seu núcleo tinha a menor resistência.
Claro, em controle, qualidade e quantidade de energia, ele era muito superior a todos. Mas existia algo que permanecia inferior: a resistência.
Seu núcleo parecia uma parede feita de madeira.
Marco, Karla e Douglas pareciam um muro de madeira.
Já o de Harry e Darius se assemelhava a uma muralha de pedra.
Aquilo não fazia sentido.
Ele estava no auge do núcleo vermelho, enquanto os três permaneciam apenas no nível médio.
Ao alcançar um novo núcleo, uma pessoa passava pelos estágios de iniciante, nível médio, alto nível e, por fim, auge.
A única diferença entre eles era o tempo.
Augusto havia formado seu núcleo vermelho apenas três anos atrás.
Já Marco, Karla e Douglas estavam naquela estágio havia mais de cinco anos.
Esqueci dos quatro elementos... Essa deve ser a resposta.
Voltando sua atenção às crianças, continuou:
"Vocês devem sentir a energia ao redor. Nela existem quatro tipos diferentes de energia: quente, representando o fogo; dura, representando a terra; úmida, representando a água; e flexível, representando o vento.
Os guerreiros precisam dos quatro elementos.
Os magos, porém, precisam de apenas um.
Isso faz com que seus núcleos sofram uma transformação, permitindo controlar esse elemento e utilizá-lo em combate."
Ele explicou detalhadamente as diferenças entre a formação do núcleo de um guerreiro e a de um mago.
"Quem é mais forte?" Perguntou outro garoto.
Augusto sorriu.
"O que significa ser mais forte?
Imaginem cem bestas correndo na direção de vocês.
Um guerreiro conseguiria enfrentá-las, mas estaria limitado àquelas que alcançasse.
Um mago poderia atacar todas ao mesmo tempo, pois seu alcance é muito maior.
Magos usam a distância como principal arma. Claro, existem alguns que lutam corpo a corpo, mas são bem raros.
Então... quem vocês acham que é mais forte?"
"Meu pai diz que guerreiros são mais fortes porque conseguem enfrentar bestas de frente." Comentou uma menina de doze anos.
"Isso também é verdade. Ao formar um núcleo com os quatro elementos, os guerreiros fortalecem seus corpos muito mais do que os magos. Porém, se um mago conseguir manter a distância, dificilmente um guerreiro conseguirá derrotá-lo."
As crianças continuavam confusas.
"Vocês poderão escolher qual caminho seguir. Mas, antes disso, precisam aprender a formar um núcleo."
Ele percorreu o grupo com o olhar antes de continuar.
"Escutem com atenção. Minhas próximas palavras são ordens. Quem não as seguir nunca poderá se tornar um soldado da nossa aldeia."
As crianças imediatamente se lembraram das palavras de seus pais, irmãos e tios sobre o jovem líder.
Suas palavras são lei. Todos pensaram ao mesmo tempo.
"Primeiro, vocês aprenderão a sentir a energia. Para alguns será um processo rápido; para outros, lento. Portanto, ajudem uns aos outros.
Depois de sentir a energia, deverão conduzi-la até a região do umbigo, formando uma pequena esfera de energia.
Façam isso durante sete dias consecutivos, de preferência mais de uma vez por dia.
Sintam a energia.
Conduzam-na até o umbigo.
Formem a esfera.
Quando ela se dissipar, repitam todo o processo."
Como ainda não possuíam um núcleo, a energia não permaneceria acumulada por muito tempo.
"Quando todos conseguirem repetir esse processo durante sete dias consecutivos, teremos nosso segundo encontro.
Quem terminar antes deverá continuar treinando até que todos completem os sete dias.
Entenderam?"
"Sim, senhor!"
"Ótimo. Podem voltar."
As crianças ainda fizeram algumas perguntas simples, e Augusto respondeu a todas.
Mais de trinta minutos depois, a última delas foi embora.
Como já estava ali, decidiu visitar a sala dos regentes.
Eles discutiram o aumento dos salários, mas, depois das explicações de Augusto, concordaram com a proposta.
Ele também estabeleceu algumas regras.
Cada equipe deveria sair com, no mínimo, doze soldados além do líder.
Guerreiros de núcleo preto não poderiam participar de missões de combate.
Além disso, cada pessoa teria um limite de vinte missões a cada trinta dias.
Ele não queria que os moradores pensassem apenas em ganhar dinheiro.
Com essas pausas obrigatórias, ainda teriam tempo para treinar.
Quando a reunião terminou, já era tarde.
Augusto voltou para casa ansioso.
Havia muitas perguntas passando por sua mente.
