"Vamos começar pelo básico. Embora eu não seja um mago, posso ensinar os primeiros passos. No futuro, pretendo contratar um mago experiente para dar as aulas mais avançadas."
Ele já tinha uma pessoa em mente.
Cinco bolas de ferro apareceram no chão.
"Vocês devem levá-las aos ferreiros e pedir que façam cinco para cada um. Essas bolas servirão como ferramenta de treinamento."
Todas as crianças olharam curiosas para as esferas de ferro.
Cada uma tinha cerca de vinte centímetros de diâmetro.
"Como magos, vocês devem ser capazes de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Precisam desenvolver controle, alcance e velocidade.
Primeiro, treinem sozinhos com as bolas.
O objetivo inicial é conseguir mover as cinco ao mesmo tempo, mantê-las próximas de vocês e, aos poucos, levá-las o mais longe possível sem sair do lugar.
O segundo treinamento exigirá duas pessoas.
Vocês ficarão a uma distância em que ambos consigam controlar as bolas e disputarão entre si.
Vencerá quem conseguir empurrar as bolas para mais perto do corpo do adversário."
Esse treinamento aumentaria o controle, a velocidade de reação, o alcance e a precisão.
"Como vamos mover elas?" Perguntou Álvaro.
"Magos podem utilizar a energia presente no ambiente, mas também podem usar a própria energia para influenciá-la com mais facilidade. Fechem os olhos."
Todos obedeceram.
Alguns ainda tentaram espiar, mas encontraram Augusto observando cada um deles.
"Sintam a energia dentro de seus núcleos.
Conduzam-na lentamente para fora do corpo.
Conseguem controlá-la depois que ela sai?"
"Sim." Todos responderam.
Eles já eram capazes de reunir energia.
Controlá-la fora do corpo era ainda mais fácil, principalmente agora que possuíam um núcleo.
Afinal, aquela energia lhes pertencia.
Sentindo que todos haviam conseguido, Augusto continuou.
"Agora utilizem essa energia para mover as bolas."
Ele conseguia observar perfeitamente tudo o que acontecia.
Quando a energia deles alcançou as bolas, nada aconteceu no início.
Poucos segundos depois, elas começaram a se mover alguns centímetros.
"Venham ver."
As crianças se aproximaram e ficaram animadas ao perceber que realmente haviam conseguido mover as bolas.
"Estão vendo?
Vocês ainda possuem apenas um núcleo preto.
Com o tempo, isso ficará muito mais fácil.
Esse será o treinamento de vocês por um bom tempo, então acostumem-se."
"Entendido, jovem líder."
"Agora quero saber quais elementos cada um escolheu.
E uma informação importante.
Quando saírem da aldeia, nunca contem a ninguém qual é o elemento de vocês.
Tentem esconder isso ao máximo.
É por esse motivo que magos costumam usar capuzes durante as batalhas.
Assim, ninguém consegue descobrir quem lançou determinada magia."
Depois do aviso de Augusto, todos revelaram seus elementos.
Dos treze magos, cinco escolheram fogo, quatro terra, dois água e dois vento.
O fogo havia sido o elemento mais escolhido.
Talvez porque, na imaginação da maioria das pessoas, fosse o mais poderoso.
"Vocês devem tentar compreender a natureza do próprio elemento.
Observem o fogo.
Toquem a terra.
Sintam a água.
Deixem o vento passar pelo corpo.
Isso facilitará a criação do próprio elemento.
Quando conseguirem criar fogo, terra, água ou vento sozinhos, iniciarão um treinamento específico.
Os usuários de fogo deverão criar pequenas bolas de fogo e mantê-las em movimento.
Depois, aumentem a quantidade.
Quando alcançarem o limite, passem a treinar a velocidade delas."
Os magos de fogo concordaram.
"Os usuários de terra devem focar em erguer a terra gastando o mínimo possível de energia.
Criem pequenos pregos de terra.
Depois façam exatamente o mesmo treinamento que expliquei antes: quantidade primeiro, velocidade depois.
Os usuários de água seguirão o mesmo princípio.
Criem lanças de água.
Treinem a quantidade.
Depois, a velocidade.
Entenderam?"
"Sim."
"Já vocês, usuários de vento, terão outro foco.
Criem pequenos redemoinhos e lancem uns contra os outros.
Aumentem gradualmente a velocidade de rotação e a força deles.
Além disso, utilizem o vento para impulsionar os próprios movimentos."
"Entendemos."
Aqueles que dominavam o vento também dominavam a velocidade.
"Era tudo o que precisava ensinar por enquanto.
Quanto aos cajados...
Vocês ainda são inexperientes demais para utilizá-los.
Foquem nesses treinamentos."
"Obrigado pelos ensinamentos, líder." Todos agradeceram.
Após se despedir dos novos magos, Augusto foi observar o treinamento dos guerreiros.
Na entrada da aldeia, um grupo corria enquanto os novatos observavam os mais experientes arremessando pedras uns contra os outros.
Aquilo ainda lhes parecia um treinamento idiota.
Mesmo assim, sabiam que fora uma ideia do líder.
E, por isso, todos a seguiam.
Os resultados já eram visíveis.
Muitos guerreiros que estavam presos no núcleo preto haviam avançado para o núcleo vermelho escuro.
Não demoraria para surgirem novos guerreiros de núcleo vermelho.
A força de todos havia aumentado.
Mesmo assim, ninguém havia perdido o respeito pela morte.
Não sairiam enfrentando qualquer perigo apenas porque ficaram um pouco mais fortes.
"Logo serão vocês aí.
Prestem bastante atenção."
Augusto chegou chamando a atenção de todos.
Até mesmo aqueles que corriam interromperam o treino para cumprimentá-lo.
Antes, ele era reservado e distante.
Depois que se tornou líder, conquistou rapidamente o respeito e a admiração de toda a aldeia.
Os guerreiros ficaram mais fortes.
Os salários aumentaram.
Até os moradores comuns passaram a admirá-lo profundamente.
O número de missões realizadas por dia variava entre quatro e seis.
Todos os guerreiros de núcleo vermelho permaneciam ocupados quase o tempo inteiro, respeitando apenas o limite mensal estabelecido por Augusto.
A nova organização estava dando resultados além do esperado.
Setenta por cento dos recursos coletados continuavam pertencendo à aldeia.
O restante era dividido entre os participantes da missão.
Essa regra não havia mudado.
A grande diferença era que, agora, as missões lideradas por guerreiros de núcleo vermelho conseguiam coletar muito mais recursos.
"Precisa de alguma coisa, líder?" Perguntou um homem.
Era o mesmo guerreiro cuja espada havia sido quebrada por um galho.
"Não. Logo terei que decorar outro nome...", pensou Augusto, sorrindo ao observá-lo.
O homem estava muito próximo de alcançar o núcleo vermelho.
"Obrigado. Meu nome é Daniel." Respondeu ele, rindo.
"Pode continuar o treinamento, Daniel."
"Sim, senhor."
Daniel voltou a correr.
Observando os guerreiros treinando, Augusto também decidiu ir embora.
Um novo método de treinamento já começava a tomar forma em sua mente.
Mesmo assim, preferiu deixá-los praticando aquele por mais algum tempo.
Ao chegar em casa, mais alguns dias se passaram.
Durante todo esse período, continuou tentando abrir os anéis espaciais obtidos após a batalha contra os trolls.
Mesmo depois de tantos dias, ainda não havia conseguido chegar nem à metade do processo.
Desistindo por enquanto, foi até o porão para acompanhar o nascimento dos lagartos.
Ali dentro, a energia do elemento terra era extremamente abundante, fortalecendo constantemente os ovos.
Foi então que um som diferente ecoou pelo ambiente.
Crack...
Um dos ovos havia começado a rachar.
Vão nascer.
Augusto observava tudo com ansiedade.
