“Como vocês conseguiram isso?” Augusto organizou seus pensamentos.
O trio se entreolhou. Era a primeira vez que o fundador ficava surpreso diante deles.
Alguém que sempre impressionava os outros agora estava impressionado. Eles ficaram felizes ao ver aquela reação.
“Alguns meses atrás, estávamos aqui conversando quando alguém bateu à nossa porta. Era um senhor idoso. Ele pediu uma missão exclusiva para nós três.” Hugo começou a explicar.
“A missão era apenas acompanhá-lo em uma volta ao redor da floresta que cerca a cidade. Achamos estranho e não aceitamos de primeira.” Wallace comentou.
“Aquele velho era um tarado. Ele ficava me olhando com olhos estranhos e até me tocava para verificar meu físico.” David disse, lembrando-se do idoso.
Augusto refletiu por um momento e depois pediu que continuassem.
“Ele prometeu que nada aconteceria conosco. Depois de discutir por um tempo, decidimos aceitar.”
“Na floresta realmente nada aconteceu. Só lutamos contra bestas de núcleo vermelho e, no final, enfrentamos uma besta de núcleo laranja. Porém, ela era muito forte e não conseguimos vencê-la. Depois voltamos para a cidade.” Hugo e Wallace comentaram.
“Eu realmente não gostei daquele velho. Quando ele foi embora, disse para não passarmos muito tempo refinando nossos núcleos dentro da cidade. Segundo ele, ambientes com vento e chuva eram melhores.”
“Ele disse isso?” Augusto, Wallace e Hugo perguntaram ao mesmo tempo.
“Como assim vocês não ouviram ele falar isso?” David perguntou, confuso. Claramente o idoso havia dado aquele conselho aos três.
“Não.” A dupla respondeu, olhando um para o outro.
Augusto ficou ainda mais confuso. Claramente o velho sabia como alcançar o núcleo laranja, por isso havia dado o conselho de não refinar o núcleo dentro da cidade.
Também havia o fato de aquele velho estranho simplesmente ter aparecido do nada.
“Vocês acham que ele era forte?” perguntou, querendo saber a opinião dos três.
“Com certeza.”
“Sim.”
“Muito forte. Houve momentos em que senti como se uma besta extremamente poderosa estivesse atrás de mim.” David comentou.
A resposta surpreendeu os outros três ao mesmo tempo.
“Tem alguma coisa estranha nisso. O velho mostrou uma personalidade completamente diferente para o irmão David.” Hugo comentou.
“Eu não ouvi o que ele falou e nem senti essa pressão que o irmão David mencionou.” Wallace concordou.
“Quando ele falava com você, sentia alguma coisa?” Augusto perguntou a David. Aquilo era realmente estranho. Quem era aquele velho?
“Não. Agora que vocês falaram isso, lembrei de uma coisa. Enquanto lutávamos, eu ouvia a voz dele no meu ouvido, dizendo quais seriam os próximos movimentos da besta, quais ataques eu deveria fazer e para onde deveria ir. Achei que todos estivessem ouvindo.”
“Não ouvi.”
“Eu também não.”
“Por enquanto, vamos deixar isso de lado. Se ele aparecer outra vez, façam perguntas. Quero saber quem ele é e o que quer com você, David.”
Os quatro não sabiam quem era aquele velho e nunca haviam ouvido rumores sobre um idoso tão estranho na cidade.
Como não chegaram a nenhuma conclusão, decidiram deixar o assunto de lado.
“O que o grande irmão queria com essas pedras?” Hugo perguntou, curioso.
Pedras espirituais eram um recurso cujo valor de mercado girava em torno de 250 a 300 moedas de ouro por unidade.
Mas ter dinheiro não significava conseguir comprar uma. Os vendedores quase nunca apareciam e, quando apareciam, normalmente era apenas em leilões.
“Deixem-me verificar uma coisa.” Augusto fechou os olhos e começou a se concentrar.
Ele vinha treinando sua percepção para sentir melhor a energia elemental. Antes precisava de mais de cinco minutos para entrar naquele estado, mas agora já havia reduzido esse tempo para três.
Ao observar a energia dentro da pedra, percebeu que ela era composta inteiramente de energia pura. Aquela era uma informação muito importante.
Além das pedras espirituais, também existiam as pedras elementais. Até então, ele acreditava que elas serviam apenas para magos, mas, com suas últimas descobertas...
Por curiosidade, olhou para os núcleos do trio.
O núcleo de David brilhava intensamente, no auge do vermelho. Dentro dele, a porcentagem de cada elemento estava abaixo de 30%.
Wallace era um mago do tipo água que havia recebido o chamado do elemento. Seu núcleo brilhava com uma luz um pouco mais fraca, estando no alto nível do vermelho. Na parte interna do núcleo, o elemento água ocupava 62%.
Os magos eram diferentes dos guerreiros. Os primeiros buscavam uma afinidade cada vez maior com um único elemento. Os segundos buscavam o equilíbrio entre todos.
Por último, Hugo mantinha o mesmo brilho, estando também no alto nível do vermelho. Na parte interna do núcleo, o elemento água ocupava 43%.
Os dois eram magos de água, enquanto David era um guerreiro.
“Aff...”
Augusto suspirou. Ainda era cansativo permanecer naquele estado de concentração.
“Vocês receberam apenas essas?” Ele não queria pegá-las caso fossem as únicas três. Comprar seria difícil, mas ele tinha uma pessoa em mente.
Bruno era um alquimista. Provavelmente não sentiria falta de uma pedra espiritual.
“Não. Ele nos deu dez pedras depois que o acompanhamos.” Hugo respondeu, invocando mais uma pedra.
“Queríamos sua opinião sobre o que fazer com elas.” Wallace comentou.
“Por enquanto, nada. Vou fazer alguns experimentos. Quando voltar, já terei uma resposta.”
Augusto guardou a pedra e começou a organizar seus pensamentos. Sua viagem de volta para a aldeia ainda demoraria um tempo, mas ele já estava ansioso.
“Vocês já aceitaram alguma missão ou estão pensando em aceitar?” perguntou em seguida.
“Ainda não, mas temos uma em mente.”
“E qual seria?”
“Uma missão para invadir um covil de bandidos. Parece que eles irritaram algum filho da nobreza. A recompensa é de cinquenta moedas de ouro, mas devemos trazer a cabeça do chefe deles.” Wallace respondeu.
“Isso parece estranho... Por que esse filho de nobre não mobiliza os soldados da própria família?”
“Não sabemos. Mas o servo dele disse que o próprio contratante participaria da missão. Por isso estamos pensando em não aceitar.” David comentou.
Filhos da nobreza costumavam ser mimados e frequentemente cometiam diversos crimes contra pessoas comuns.
“Devem aceitar. Um covil de bandidos sempre é divertido de invadir. Não terei esse tipo de diversão por muito tempo e também quero ver a força atual de vocês.”
“Tudo bem. Vou mostrar que fiquei ainda mais forte, chefe.” David respondeu com confiança.
Aquela confiança não era tola. Se David lutasse contra Victor naquele momento, o mataria em menos de dez movimentos.
Todos os membros da Irmandade seguiam um treinamento rigoroso, criado pelo próprio Augusto.
Era por isso que tantas pessoas queriam encontrá-lo. Afinal, quem havia sido capaz de transformar crianças comuns da favela em soldados de elite?
Mas o que ninguém sabia era que existia uma regra que todos os membros seguiam como se suas vidas dependessem disso:
Nunca usem mais de 70% da própria força em uma luta em que suas vidas não estejam em perigo.
Se lutassem com tudo o que tinham, os soldados de elite das grandes famílias não seriam nada diante deles.
