Quando a Irmandade e o jovem nobre chegaram à floresta, ele perguntou:
"Como vocês irão me acompanhar? Precisamos ser rápidos para eliminar os bandidos antes que eles mudem de esconderijo."
O jovem questionou qual seria a forma de transporte deles.
"Não se preocupe, apenas mostre o caminho." David respondeu.
Embora ter uma besta como montaria fosse vantajoso, dentro da floresta sua velocidade seria reduzida. Na floresta era preciso prestar atenção em tudo, ou acabaria cavando a própria cova.
'Vamos ver então.'
O jovem nobre encarou o grupo.
Para ele, simples favelados jamais conseguiriam acompanhar sua montaria, que era especializada em corrida.
Quando começaram a correr, ele olhou para trás e viu as vinte e duas pessoas acompanhando seu ritmo sem dificuldade. Diferente da montaria, que precisava fazer várias pausas para atravessar trechos mais difíceis, os membros da Irmandade passavam pelos obstáculos sem qualquer problema.
Eles continuaram correndo por quase três horas, até que o jovem nobre levantou a mão.
"Minhas informações dizem que existem aproximadamente quarenta bandidos. Eles estão escondidos em uma caverna na região oeste. Sempre que encontrarmos uma caverna, vamos verificá-la." O jovem nobre informou.
"E o nível dos núcleos deles?" Hugo perguntou.
"Todos são, no mínimo, vermelho-escuro, e pelo menos oito possuem núcleo vermelho. Vocês conseguem lidar com isso?" Ele respondeu, analisando qual seria a reação deles.
"Sem problemas."
Dos vinte e dois membros da Irmandade, nove possuíam núcleo vermelho. Tirando David, Wallace e Hugo, que estavam no auge e no alto nível desse reino, todos os demais ainda estavam no nível baixo.
Os outros treze estavam entre o alto nível e o auge do núcleo vermelho-escuro.
O jovem nobre percebeu a confiança deles. Conhecendo a fama de que a Irmandade jamais havia perdido um membro, começou a acreditar que realmente existia alguma verdade por trás daqueles rumores.
"Vamos continuar a procura. Eles não devem estar muito longe da cidade."
Passaram-se dez horas.
Nesse período, encontraram quatro cavernas, porém nenhuma apresentava qualquer sinal dos bandidos.
"Essa será a última antes de pararmos para descansar." O jovem comentou.
Ele olhou ao redor. Não havia qualquer sinal de movimentação humana, mas ainda assim resolveram verificar.
A entrada da caverna era pequena, com cerca de três metros de altura e dois de largura. A maioria das bestas não gostaria de entrar em um lugar tão apertado.
Augusto vinha logo atrás. Ele acompanhou todo o percurso à distância.
Assim que entrou na caverna, sentiu uma leve flutuação de energia diferente.
'Eles estão aqui.'
Um sorriso surgiu em seu rosto.
O grupo mais à frente havia parado.
"Vocês estão ouvindo isso?" David perguntou.
"O quê?" O jovem questionou.
"Risadas. Parece que encontramos o esconderijo deles."
O jovem nobre encarou David por um instante.
Como ele conseguia ouvir algo tão distante?
Quando avançaram um pouco mais, todos passaram a escutar as risadas.
"Preparem-se. Nosso objetivo é matar o líder deles e recuperar os itens roubados." Comentou o jovem nobre.
Os guerreiros sacaram suas armas.
Os magos colocaram seus capuzes.
Todos estavam preparados.
"Vamos mais rápido."
Eles correram pelo estreito corredor da caverna até alcançarem a origem das risadas.
O local era amplo e espaçoso.
Quarenta homens bebiam enquanto contavam piadas. Caixas repletas de recursos podiam ser vistas por toda parte. Moedas de ouro, armas e armaduras estavam espalhadas pelo chão.
Naquele momento, o som dos passos alertou os bandidos.
"Temos companhia!!!"
Gritou um dos bandidos que estava próximo ao corredor.
No instante em que terminou de falar, correntes de água envolveram seu corpo, e uma lança de água atravessou sua cabeça, fazendo-a explodir.
Os bandidos se assustaram ao ver o companheiro morrer com tanta facilidade, mas logo recuperaram a compostura.
"Peguem suas armas! Rápido!!!"
Gritou outro bandido enquanto sacava sua espada.
Os responsáveis pelo ataque surpresa apareceram.
Vinte e três pessoas.
O jovem nobre olhou primeiro para os magos da Irmandade.
'Esse ataque foi perfeito. Velocidade e controle. Quem foi que lançou aquela magia?'
Depois voltou sua atenção para os bandidos já organizados.
Trinta e dois empunhavam espadas, enquanto treze permaneciam na retaguarda segurando cajados.
"Quarenta e cinco no total. Um bom número." David comentou sem demonstrar qualquer preocupação.
"Vamos começar, irmãos... preparem-se..."
Ele respirou fundo.
"AVANCEM!!!"
"Merda, quem são esses?" Perguntou um dos bandidos.
"Não importa! Matem todos! O chefe está dormindo, alguém vá chamá-lo!" Outro respondeu.
Os membros da Irmandade, junto com o jovem nobre, iniciaram o combate. Cada um enfrentava pelo menos dois bandidos.
David liderava o avanço.
Empunhando um machado de guerra, cada golpe que desferia lançava um bandido para longe.
Quem já havia visto um orc lutando encontraria muitas semelhanças em seu estilo de combate.
No alto da caverna, inúmeras magias se cruzavam.
Água, fogo, terra e vento.
Os magos da Irmandade bloqueavam qualquer ataque que pudesse atingir seus companheiros.
"Velocidade dois, pessoal." Um mago encapuzado falou.
A velocidade dos disparos feitos pelos mercenários aumentou tanto que os magos dos bandidos precisaram se mover constantemente para não serem atingidos.
'Incrível... são todos soldados de elite. Agora entendo por que tantas pessoas querem recrutá-los.' Pensou o jovem nobre.
No corredor, outra pessoa também estava impressionada.
Era Augusto.
Ele se segurava para não participar daquela batalha.
Queria ver como todos haviam evoluído depois de quatro meses, e a resposta não poderia ser melhor.
Todos estavam mais fortes.
Também não demoraria para que novos núcleos vermelhos surgissem entre eles.
'Bom trabalho, pessoal... vocês me deixam tão orgulhoso.' Pensou ele, sorrindo.
"Malditos! Quem são vocês?" Perguntou um bandido enquanto cruzava golpes com David.
"Os enviados da sua sentença."
David respondeu e desferiu um golpe na barriga do homem.
Porém, o bandido apenas recuou alguns passos.
"Interessante... auge do núcleo vermelho. Um oponente que não morre rápido."
David voltou a avançar contra ele.
"Tolos! Quando o chefe chegar, todos vocês irão morrer!" Gritaram alguns bandidos enquanto eram abatidos.
A Irmandade era avassaladora.
Os bandidos eram fracos demais para enfrentá-los.
A única vantagem que possuíam era a superioridade numérica, mas nem isso parecia suficiente.
Os guerreiros ainda estavam cansados.
Até poucos minutos atrás, estavam bebendo.
De repente, se viram em uma batalha de vida ou morte.
Os magos também já estavam quase sem energia, e alguns haviam sido atingidos por ataques mágicos.
"Quem ordenou que vocês viessem até aqui?"
Uma aura opressiva tomou conta da caverna.
Ninguém respondeu.
Todos continuavam concentrados em derrotar os inimigos à sua frente.
"Chefe! Esse cara é o líder deles! Ele deve saber!"
O bandido que lutava contra David gritou, apontando para ele.
Um homem de quase um metro e noventa, com cabelos grisalhos, apareceu.
Ele estava dormindo em outra parte da caverna até ser acordado pela confusão.
"Então você sabe o motivo..."
"Conte agora."
Puff!
O som do chão se quebrando ecoou pela caverna.
Num piscar de olhos, o chefe dos bandidos surgiu diante de David.
Seu ataque tinha como alvo o braço do mercenário.
Porém, no último instante, David conseguiu escapar.
"Is-isso... é um núcleo laranja?"
O jovem nobre ficou completamente assustado.
Ele já havia visto inúmeros guerreiros naquele reino e conhecia muito bem o poder que possuíam.
'Merda... As informações não diziam que havia um homem desse nível aqui. Ele pode nos matar rapidamente.'
Ao recordar a força demonstrada por guerreiros do núcleo laranja, seu coração pesou.
"Maldito! Pensando em cortar meu braço? Vou arrancar essa cabeça imunda!"
David não demonstrou o menor sinal de medo.
Ele já se preparava para atacar novamente.
"Não, David. Você já lutou contra um núcleo laranja antes. Deixe isso comigo agora."
Todos viraram imediatamente na direção do corredor.
Um jovem estava parado ali, observando o campo de batalha com absoluta tranquilidade.
