Cherreads

Chapter 26 - laços

“Aumentar o número de membros?” David perguntou.

“Sim. Eu percebi isso na última missão. Quanto mais forte for um líder de bandidos, mais subordinados ele terá. Imaginem enfrentar o triplo de inimigos da última vez.”

Seu raciocínio tinha lógica.

“Além disso, em média, um grupo mercenário de rank bronze tem cerca de 100 membros, enquanto grupos de prata possuem mais de 250. Vocês são muito fortes, por isso não sentem essa diferença agora, mas precisamos de mais membros. Isso possibilitará realizar mais missões e aceitar trabalhos maiores.” Augusto argumentou.

“Então devemos sair escolhendo algumas pessoas já estabelecidas?” comentou Hugo.

Existiam inúmeros guerreiros e magos que não pertenciam a nenhum grupo mercenário. Eles completavam missões sozinhos e eram bastante conhecidos por todos.

“Não. Essas pessoas não são confiáveis. Existem centenas de crianças e jovens na favela. Escolham eles.”

“Isso... demoraria pelo menos um ano para que todos os novos membros fossem úteis.” Wallace conhecia todas as crianças e sabia que nenhuma delas possuía um núcleo.

“Não é um problema. Me respondam uma coisa: existem jovens que já formaram seus núcleos, não é?” perguntou ele.

“De fato. A maioria virou soldado de baixo escalão.” respondeu Wallace.

“Esqueçam esses, então. Todas as crianças acima de oito anos que quiserem entrar para a Irmandade deverão ser aceitas.”

“Mas, se aceitarmos todos, não teremos tempo para treiná-los, e nossas missões ficarão mais difíceis, já que teremos de protegê-los.” comentou um dos membros.

“Não. Vocês irão criar uma divisão de membros.” disse Augusto.

“Divisão de membros?” comentou Hugo, percebendo a expressão de dúvida no rosto da maioria.

“Vocês serão os membros centrais. Todos terão permissão para sair em missões, mas cada missão deverá ser aprovada primeiro por David, Wallace ou Hugo.

Isso aumentará bastante o número de missões que poderão ser aceitas. Todos vocês conhecem seus próprios limites e são muito mais fortes do que a maioria.”

Ele fez uma pausa e olhou para todos. Seus rostos pareciam prestes a chorar. Receber elogios do fundador era sempre gratificante.

“Depois teremos os membros internos e os membros externos. Aqueles que demonstrarem lealdade e uma boa mentalidade serão aceitos na parte interna. Esses serão os membros que poderão sair em missões com vocês.

Analisem o comportamento e a maneira como todos os membros agem. A cada mês, faremos reuniões para avaliá-los. Entenderam?”

“Sim, senhor!” Todos gritaram.

“Agora, os externos. Eles não sairão em missões, mas realizarão todo tipo de serviço: limpeza da sede, entrega de recados, guarda da base e muitas outras tarefas.

A cada mês, vocês decidirão quem permanecerá como membro interno e quem continuará como membro externo. Eu confio na capacidade de julgamento de todos. Alguma dúvida?”

Todos ainda tinham dúvidas, mas ninguém sabia exatamente o que perguntar.

“Outro ponto importante: o treinamento. Somente aqueles do núcleo central poderão receber todo o treinamento que passei para vocês. Para todos os outros, basta ensinar o controle da energia. O segundo e o terceiro treinamentos não deverão ser passados adiante.”

Seu treinamento era dividido em três partes, e os membros da Irmandade seguiam todas elas fielmente. Na aldeia, eles ainda estavam apenas no primeiro treinamento.

“Isso não faria deles fracotes?” perguntou David.

“Sim. Mas aqueles que demonstrarem ser dignos de entrar no núcleo central mostrarão a todos que podem ser considerados irmãos mais novos. Muitas pessoas estão curiosas sobre minha identidade e tentarão comprar a lealdade dos novos membros. Esse sistema servirá para mantê-los longe.”

Imagine investir tempo e dinheiro em alguém que não consegue fornecer nenhuma informação durante meses ou até anos.

“Não seria mais fácil fazer todos assinarem um contrato de espiritualidade?” perguntou Wallace.

“Somos uma irmandade. Esse tipo de contrato é para subordinados.” respondeu Augusto.

Wallace ficou envergonhado. Todos ali eram irmãos. Eles não precisavam disso. A confiança de deixar alguém protegendo suas costas durante uma batalha era um dos pilares que a Irmandade pregava e seguia.

“Outra regra: apenas aqueles no núcleo vermelho-escuro poderão participar de missões. Já os membros centrais só terão permissão para aceitar missões do alto nível do núcleo vermelho. Além disso, pelo menos três pessoas do mesmo nível ou superior deverão participar de cada missão.” Ele terminou de explicar as novas regras.

Todos concordaram. Núcleos pretos ainda eram muito fracos. Quanto ao limite para as missões, era algo esperado.

Quando o fundador criou a Irmandade, ele proibiu que realizassem missões perigosas até que alguém alcançasse o núcleo vermelho. Além disso, ele sempre estava presente. Somente no último ano deixou de participar da maioria das missões.

“Quando o chefe vai embora?” alguém perguntou.

“Estou esperando algumas coisas ficarem prontas. Daqui a doze dias devo partir.” comentou Augusto.

“Não vai ficar para o inverno? Queria caçar algumas bestas com o chefe.” disse outro membro, decepcionado.

“Eu ainda estou aqui. Podemos caçar agora. Talvez eu não tenha muito tempo no futuro para fazer isso.”

Todos os membros ficaram tristes. Eles não sabiam a verdadeira identidade de Augusto, nem se ele era um nobre ou um camponês.

Todos o admiravam por ter mudado suas vidas. Antes eram crianças passando fome nas ruas da favela; agora eram homens capazes de alimentar outras crianças.

Ninguém falou por alguns minutos. No futuro, seria ainda mais difícil terem momentos de reunião como aqueles.

“Não fiquem tristes. Vamos nos divertir ainda mais no futuro, só teremos mais responsabilidades do que agora. Espero que, em um futuro próximo, eu possa carregar os filhos de vocês nos braços e contar a eles as histórias de seus pais.” Ele tentou aliviar o clima.

Todos sorriram e começaram a falar sobre as mulheres pelas quais estavam interessados, querendo saber a opinião de seus irmãos.

Doze dias depois, Augusto participou de inúmeras missões ao lado dos membros da Irmandade. Ele também passou na loja especializada em armaduras e buscou 80 peças feitas com as escamas dos lagartos.

“Parece que você chegou ontem.” comentou Hugo.

“Tenha uma boa viagem de volta, chefe.” disse David.

“Espero que não demore tanto para voltar.” falou Wallace.

Todos os membros estavam reunidos no salão para se despedirem do fundador.

“Espero que, quando eu voltar, todos estejam seguros. E não se esqueçam: nunca lutem batalhas perdidas.” disse ele, após abraçar cada um dos membros.

“Até logo, pessoal.”

“Até logo, chefe!” gritou a Irmandade em uníssono.

Quando saiu da favela, Augusto ficou triste. Se não tivesse se tornado o líder da aldeia tão cedo, teria mais tempo para desenvolver a Irmandade.

Ao deixar o portão, ele seguiu o caminho de volta durante um dia inteiro.

Em determinado momento, sua irritação começou a aumentar. Desde que deixara a favela, tinha a sensação de que alguém o observava, mas não conseguia descobrir de onde.

Ao olhar na direção de uma grande pedra, finalmente decidiu falar.

“Quem está aí?” gritou.

Nenhuma resposta.

“Quem es-”

Antes que terminasse a frase, uma figura surgiu sobre a pedra, encarando-o.

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